Biologia + Ciências Naturais

OpenSUSE 12.2, where are you?

Mal posso esperar pelo lançamento definitivo do novo openSUSE 12.2. Estou desde maio usando o Ubuntu 12.04 e embora esteja relativamente satisfeito devo admitir que suas complicações estão me cansando. Neste artigo pretendo discutir algumas novidades da nova versão da ‘Distro do Gecko’ que já deveria estar online, mas sofreu alguns atrasos com problemas gerenciais recentemente. A expectativa é que a versão final saia em meados de Setembro deste ano.

Breve esculhambação sobre o Ubuntu

O Ubuntu é sem dúvida uma das distribuições mais amigáveis e populares do mundo linux (e o será ainda mais pelo andamento das coisas). Instalei no meu note antigo e está rodando até agora sem grandes problemas – e sendo usado por alguém que nem faz ideia do que é “sistema operacional”. Entretanto a distro da Canonical possui alguns problemas que sempre me incomodaram. Por exemplo, o Ubuntu é um sistema muito bom da forma como é distribuído, mas torna-se muito instável quando começa a ser personalizado.

Há nem tanto tempo atrás o Ubuntu pegou uma fama de gambiarrado por causa de scripts que faziam mil e uma modificações no sistema para facilitar a vida do usuário. As coisas Automágicas causaram tantos problemas que foram banidas, mas me parece que o estilo POG de fazer as coisas persiste.

No curto prazo o Ubuntu é um sistema leve e fácil de usar. No longo prazo torna-se uma colcha de retalhos. No meu caso possuo muitos aplicativos que foram instalados diretamente – como o Mendeley e atualizações do CherryTree. Talvez a grande variedade de aplicativos distribuídos por terceiros sem nenhum controle seja o mal do Ubuntu, a Canonical deveria tomar alguma providência quanto a isso e valorizar mais os repositórios.

Devo ressaltar que a comunidade fez um excelente trabalho no Precise Pangolin. Esta foi a primeira versão do Ubuntu que consegui usar por mais de uma semana sem formatar o computador e que dispensou hacks para instalação. Sentirei falta do Unity, ele é tão agradável que me convenceu a adotar o ribbon do Windows 7 que até o momento eu rejeitava completamente.

Geralmente eu era obrigado a vagar pelos fóruns para descobrir porque todas as outras distros funcionavam no meu note menos o Ubuntu. As LTS, que deveriam ser mais estáveis, eram justamente as problemáticas.

Recursos do openSUSE

Um dos motivos por preferir o OS é logo de cara a mídia. Acredito que as “distros com tudo dentro” são mais adequadas as minhas necessidades de experimentador. Além disto, poupam bastante banda pois possuem muita coisa útil no DVD de instalação. Esta mesma filosofia aplica-se os repositórios. Os servidores do OS estão cheios de aplicativos úteis, do Google Earth ao Adobe Reader. Para quem está migrando do Windows ou precisa de algum grau de compatibilidade com o mesmo encontrará um ambiente bastante amigável.

Recurso 1: Ótima seleção de aplicativos

Em termos de usuários, fóruns e documentação o Ubuntu é insuperável, mas ele padece do mal do Windows: milhares de blogs/wikis descrevendo a mesma solução – geralmente uma gambiarra – para o mesmo problema sem grandes explicações.

Aquele defeito congênito no WiFi do Ubuntu quase me enlouqueceu.

No que tange a documentação o OpenSuse vai muito bem com seu Wiki mantido pela comunidade, livros com detalhamento técnico das aplicações – inclui tutoriais, fóruns e uma pequena rede social que já mencionei no lançamento do 12.01. A grande vantagem do Opensuse é que ele é um sistema multipropósito para usuários domésticos, corporativos, servidores, hardcore e desocupados como eu. Logo, é um sistema bem documentado (do básico ao avançado) e fácil de personalizar.

Recurso 2: Rica documentação para todas as idades ;)

Para quem migra do Windows para o Linux a primeira facada é com certeza o painel de controle. Duas opções são oferecidas ao cavaleiro andante: usar as ferramentinhas isoladas como as do Gnome ou abraçar a escuridão eterna do terminal.

Eu uso o terminal, uso bastante, programo em Perl e ShellScript por acaso. Mesmo assim acho uma grande besteira ficar publicando tutoriais com comandos shell para o leitor copiar e colar. Isso agrega muito pouco ao usuário em questão e nada ao blogueiro em questão.

O Opensuse oferece algo que poucas distros ainda se arriscam em ter: um painel de controle. Seguindo a bela tradição do Madrake Control Center, o OS (sigla bastante apropriada, não?) oferece ao seu usuário o YAST, uma coletânea de ferramentas de configuração que vão desde coisas simples como usuários e grupos até recursos avançados como servidores Apache e MySql. O Yast está disponível tanto em ambiente Gnome quanto KDE e sua principal vantagem é ter sido desenvolvido para o Opensuse, logo ele é uma solução sob medida e altamente compatível.

Recurso 3: Yet Another Setup Tool!

Yast! em ação: desde gerenciamento de usuários até configuração de servidores Lamp. Com tudo em um só lugar ele lembra bastante os tweakers do Windows.

Este último recurso pode ser associado ao primeiro e é uma característica de distros como o Opensuse, Mandriva e etc… (quem mais? agora me escapa outra distribuição via DVD). Talvez por ter espaço em sua mídia de instalação e pelo cabedal de demandas que deve atender o Opensuse possui mais de um ambiente gráfico funcional. Durante a instalação é possível optar pelo KDE4, Gnome3, XFCE, LXDE e outros. Isso é muito bom para quem quer testar ambientes, quem teme que um pau no sistema o deixe inaccessível (acontece muito no KDE4) ou quem está tendo dificuldades com certas atualizações. Eu por exemplo fugi por muito tempo para o XFCE depois que o Gnome3 passou a ser o padrão para o Opensuse 12.1. Além dos ambientes, pacotes específicos e genéricos bem como temas e recursos de personalização estão disponíveis para todos, tanto na mídia quanto nos repositórios.

O Unity é muito bom, ainda torço o nariz para o Gnome-shell e guardo um fio de esperança pelo Cinnamon.

Recurso 4: Personalização

Reflexões sobre o OpenSuse 12.2

Tenho feito testes desde as versões beta, quando teve a confusão com os prazos de lançamento. O novo tema visual do sistema me agradou muito, se o Gnome 3 fosse menos sinistro cairia muito bem. As novas tonalidades da tela de boot me fazem recordar do Linux Mint!

Deram um revisada no visual, ficou bem mais leve, mas me lembra alguém…

A instalação via live-cd está um pouco pesada, isso me preocupa pouco pois sempre uso o DVD. Mesmo assim, o live deveria ser um pouco mais leve.

Instalação rodando no live-cd do Gnome

O sistema instalado no VirtualBox está funcionando relativamente bem, com efeitos especiais e tudo. Deve funcionar como sistema principal também, mas desta vez pretendo esperar um pouco mais antes de migrar completamente.

Já existem repositórios funcionando, mas apenas os oficiais. A seleção está muito boa, aplicativos como Grsync que tinham sido removidos voltaram para o oficial. Alguns problemas persistem, o Shutter (para screenshots) ainda gera uma instalação quebrada. O VirtualBox também está quebrado, é necessário colocar o usuário atual no grupo vboxusers (via Yast) para que o o aplicativo funcione, mesmo assim há o risco de incompatibilidade com os updates de outros repositórios.

Para quem acha que adicionar um usuário no grupo é algo simples demais para ser motivo de reclamação eis a minha resposta: Eu tenho mais o que fazer!

Senti falta de algumas coisas que o Ubuntu já traz consigo como o Backup. Eu tenho um script de backup próprio que faz o backup diferencial, compacta e etc. Nenhuma ferramenta de backup vem instalada por padrão no OS e já era hora de algo assim aparecer, parece que o OS ainda é muito voltado para usuários de intermediário-avançado do linux enquanto o Ubuntu é praticamente um windows-like (é um elogio, que fique claro isso).

Uma das coisas que mais gosto do Yast é o gerenciador de pacotes. É possível mudar entre diversos tipos de visualização dos pacotes como: por repositório, sobre idiomas, por funcionalidade, por padrões do sistema ou classe rpm. Esta ultima opção lembra muito o padrão do Synaptics, extremamente detalhado.

Na hora de navegar nos aplicativos o Gnome 3 ainda é superior ao Unity.

Instalação

O processo de setup do Live-CD e do DVD continuam idênticos às versões anteriores. Se estão procurando um tutorial rápido sobre instalação tenho um aqui no blog. Aqui discuto algumas passagens e faço novas recomendações.

Notem que ao contrário do post do 12.1, desta vez estou usando um Live CD do Gnome. Logo de cara tem a opção de instalar o sistema em vez de testar ou fazer o boot pelo HD. Isso nos permite rodar os instalador em sistemas onde o Live ficaria muito pesado, algo que comentei acima.

Opções de boot do live-cd. Podemos escolher o idioma, trocar o kernel para evitar problemas, bootar o sistema já instalado, testar ou ir direto para a instalação.

A próxima tela é para configurar teclado e idioma principal do sistema. Lembre-se de que terá a opção de adicionar quantos idiomas quiser no Yast! quando tudo estiver funcionando, por hora procure alguma configuração compatível com seu teclado. O idioma padrão é inglês (EUA), mas ele geralmente segue o que você escolheu com o F1 durante o boot (mas ninguém usa isso…).

Depois definiremos o fuso horário do sistema. Clique na cidade mais próxima do seu meridiano. Resista a tentação de clicar em Brasília porque quando o horário de verão chegar e o computador avançar uma hora sem necessidade (caso você more no nordeste ou em algum lugar que fique de fora do horário de verão) você ficará com cara de “?”.

Agora é hora de decidir sobre as partições. Por padrão o Yast sempre procura uma configuração já existente como base, então se você já tiver o Windows ele procurará redimensionar e reparticionar. Isso é pouco recomendável porque sempre dá errado. Sugiro fortemente uma partição /home separada pois é muito prática para backup e restauração do sistema. Se ele sugerir o uso de partições brtfs recuse, este sistema de arquivos é legal mas ainda está em desenvolvimento, já perdi partições inteiras com ele. O Ext4 é muito estável e seguro, sugiro para todas as partições.

Nas opções de partição as dicas são: evite o brtfs e busque sempre uma /home para si.

Nas configurações de usuário basta definir a senha e detalhes do usuário. Agora o OS adotou a norma do Ubuntu de usar a mesma senha de root para o usuário principal. Se você se preocupa com segurança, sugiro usar senhas distintas e desativar o login automático.

Por fim, ele oferece uma revisão da instalação. Notem que nada ainda foi feito no computador, então cancelar a instalação até aqui é perfeitamente seguro. Se fosse no DVD teríamos a opção de escolher qual ambiente gráfico usar. Ainda sugiro escolher apenas um ambiente gráfico e se precisar de mais de um, evite que sejam com bases de pacotes muito diferentes. XFCE, Gnome e LXDE combinam sem grandes problemas. Gnome+KDE vira confusão rápido. E mesmo assim, faça isso com o sistema já instalado, isso torna a instalação do sistema principal mais rápida e menos propensa a erros.

Conclusões

Eu particularmente acho o conceito de RC e Beta uma jogada. Para o RC o 12.2 está muito bom, sem nenhum problema que pudesse me incomodar. Se os repositórios auxiliares já estivesse disponíveis eu poderia fazer testes melhores. Por hora o sistema já tem a mesma funcionalidade que o Ubuntu 12.04.

Embora os atrasos me preocupem, principalmente depois do que aconteceu com o Mandriva, devo dizer que a comunidade está fazendo um bom trabalho nesta edição.  Acredito ser melhor lançar um sistema de boa qualidade com algum atraso do que jogar uma coisa incompleta e galvanizada no prazo. Alias, eu preferiria muito mais que fosse um único lançamento por ano com uma quantidade significativa de novidades e bem consolidado.

Update

12.08.02:

Lançado o RC2, estamos chegando lá…

12.08.26:

Faltam apenas 10 dias para o lançamento da versão final e como perdi a paciência, já instalei o RC2 e estou usando a uns 4 dias. O Gnome 3 é muito menos terrível do que eu imaginava. Depois que você se acostuma com os atalhos de teclado ele se torna um ambiente muito produtivo. Mesmo assim, eu gostaria de ter meus aplicativos na taskbar, é mais prático que alt-tab.

Embora ainda estajamos oficialmente em RC2 os repositórios 12.2 já aparecem normalmente no Yast, logo, temos acesso aos updates. Se o animal de tração aqui tivesse instalado do live CD 64bits em vez do de 32bits nem precisaria formatar o sistema novamente.

PS: O OpenSuse adotou a /home do Ubuntu 12.04 como se fosse a dele sem problemas. Meus backgrounds, configurações e etc, tudo ok de primeira. Isso mostra como o Unity e o Gnome 3 são essencialmente a mesma coisa.

12.09.05

baby-charmeleon
Filhotes de Reptilia também nascem fofinhos ;)

Já é quase o Independece Day e o 12.2 finalmente foi lançado. Agora posso fazer meu upgrade definitivamente e ver o que acontece… Os repositórios foram atualizados, agora o Packman está oficialmente disponível como Comunitário e alguns dos que estavam offline estão funcionando agora.

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OpenSuse 12.1 – Instalação for Dummies

Este é um diário de instalação em vez de um guia de instalação pois além do tutorial farei uma breve análise do novo sistema e darei algumas sugestões bem pessoais.

Quem já esteve por aqui antes sabe que sou um grande fã do GNU/Linux e em especial do Mandriva. Minha primeira distro foi o lendário Kurumin. Usei o Ubuntu por algum tempo e não me habituei a ele de forma alguma, algo em relação ao sistema em si não me agrada. Depois adotei o Mandriva como minha distro pela sua facilidade de uso, foi por acaso na era de ouro desta distro. Com os problemas recentes na Mandriva Soft, a insegurança e, acima de tudo, alguns problemas que começaram a surgir, comecei a busca por uma nova distro principal. Alias, até aquele momento não tinha feito uma migração total do Windows e oscilava entre os dois mundos. Comecei o usar o openSuse no fim de 2009 e estou satisfeito com a distro até o momento. Entretanto, sempre procuro alternativas pois é sempre bom ficar de olho aberto para as novidades ;)

Der openSuse

O sistema do lagarto é uma distro de origem alemã mantida pela Novell (para que esqueceu ou desconhece, é aquela empresa que vendeu a alma para a Microsoft). Embora existam suspeitas sobre a postura da Novell em relação a filosofia do Free Software e etc, algumas pessoas torcem o nariz. como sou pragmático com estas coisas, avalio a distro por sua qualidade em vez de questões ideológicas.

O openSuse é mantido por uma comunidade ativa e bastante organizada. Há uma rede social para os fãs da distro (openSuse Connect) além de recursos para entusiastas como o Build Service e os pacotes online que permite o download de programas um tanto exóticos e os fóruns de desenvolvimento. Para uma comunidade tão grande, a do openSuse é bastante organizada, quem está acostumada com o jeitão internacional do Ubuntu o openSuse estará a altura.

O que me atraiu para esta distro especificamente é a sua consistência aliada com uma facilidade de uso. Por consistência falo de um sistema onde posso instalar coisas e mais coisas sem que ele comece a se comportar de forma muito anômala. O Ubuntu e o Mandriva, a meu ver, pecam neste ponto por se tornarem imprevisíveis conforme o usuário personaliza o sistema. São muito bons enquanto mantidos “em cativeiro”.

E assim diferenciamos consistência de estabilidade e robustez: a primeira é sobre o sistema funcionar em condições contínuas sem travar o dar piti e a segunda é a quantidade de recursos disponíveis. Em termos de robustez a maioria das distros vai muito bem.

Já a facilidade de uso é proporcionada pelo Yast (Yet Another… [ah, esqueci o resto]). Ele é como um painel de controle muito completo onde quase tudo no sistema pode ser configurado de forma centralizada. Para mim isso é essencial pois, embora goste de aprender coisas novas, preciso do sistema para trabalhar e tenho pouco tempo para gastar com problemas pequenos. O Mandriva também conta com algo semelhante, o Mandriva Control Center. Essas semelhanças facilitaram a minha migração.

Uma das coisas que mais me irritavam no Mandriva era o gerenciamento de pacotes. Embora avanços foram feitos durante algum tempo os problemas permaneceram em muito. O gerenciamento proporcionado pelo Yast é muito simples de usar.

Para fazer o download do OpenSuse 12.1:

Download Opensuse 12.1

Alternativas

Para quem está procurando outra distro além do openSuse, aqui seguem minhas sugestões:

  • Ubuntu: Popular até demais, mas em declínio de uns tempos para cá. A comunidade Ubuntu é muito grande e prestativa, então é um ótimo sistema para aprender e para quem está chegando no Linux. Este sistema usa o Gnome como seu ambiente principal, Unity para ser mais exato. Ele tem uma interface no estilo Gnome Shell que pode desagradar algumas pessoas (eu, por exemplo).
  • Linux Mint: Inicialmente uma modificação do Ubuntu/Debian que tem se tornado popular desde então. É um sistema leve e fácil de usar que tem o Gnome como sua interface principal. É a minha alternativa favorita.

A ultima versão do Linux Mint (a 12, codenome “Lisa”) adotou o Gnome 3 como interface principal. Veremos logo mais nas implicações.

  • Fedora: O Fedora mantem uma relação próxima com a comunidade openSuse e tem um histórico bem parecido. É uma distro relativamente amigável que usa o Gnome como ambiente, mas também optou pelo Gnome Shell. O Fedora é considerado um tanto pesado e tenho dificuldades com ele aqui. Para mim, é altamente recomendado para quem está em busca de aventura ;)

Escolhendo o Ambiente: KDE x Gnome x “O Resto”

Dois pontos são fundamentais para quem vai migrar para o GNU/Linux: ambiente e aplicativos.

Quanto aos aplicativos o jeito é se acostumar. A maioria dos programas para Windows só existem lá e os do Linux só existem aqui. Fim de papo. Curiosamente, para o usuário médio, a maioria dos programas possuem versões que rodam em ambos os sistemas como LibreOffice, Firefox, RealCrypt/TrueCrypt e etc, e a maioria dos programas do Windows são desnecessários no Linux: limpador de registro, desfragmentador, agendador, notas, e etc pois o sistema já fornece esses serviços de alguma outra forma.

Alias o primeiro impacto de quem migra para o Linux é excesso de tempo livre: o sujeito trabalha mais rápido, não precisa fazer qualquer manutenção no sistema nem ficar horas no Baixaki catando coisas. Resultado: fica sem saber o que fazer ao longo do dia…

Quando ao ambiente, aí temos uma questão mais complexa. Pode-se ver que o Linux oferece muitas opções além do tradicional. O ambiente escolhido por um usuário define boa parte dos programas que ele usará bem como será sua relação com o sistema. Vejamos de forma resumida:

Gnome

É um ambiente considerado simples e por isso o meu favorito. Isso irrita alguns usuários avançados pois acham que é um desktop para iniciantes.

O que me agrada no Gnome é a estabilidade e facilidade de uso. Tudo é muito simples. Existem aplicativos pequenos e práticos para as tarefas do dia a dia e que exigem pouca ou nenhuma configuração por parte do usuário. O sistema pode ser personalizado sem grandes problemas e muitos aplicativos do mundo GNU/Linux são baseados nos serviços do Gnome.

Versões recentes do Gnome (versão 3) adotaram um visual radicalmente simplista que lembra muito os smartphones através do Gnome Shell. Isso pode ser bem chato para quem está acostumado com o visual “WinXp” que o Gnome 2 tinha até então. Eu particularmente gosto mais do visual antigo. Por ser mais personalizado e se adequar muito bem a quem faz mais de uma coisa ao mesmo tempo.

O openSuse 12.1 adotou o Gnome Shell. Se você prefere o visual do Gnome 2 basta escolher o Metacity na tela de login.
O openSuse 12.1 também adotou o Gnome Shell. Infelizmente não encontrei uma forma de usar o visual do Gnome 2 nesta edição, então adotei o XFCE.

KDE

O KDE por acaso é o padrão em muitas distribuições por ser um sistema grande e completo. As possibilidades de configurações e personalizações são tantas que você facilmente se perde no painel de configurações (KDE Control Center).

Essa complexidade toda do KDE me atrai e me desagrada. Primeiro porque ele tem uma coleção de aplicativos muito maior que a do Gnome, e melhor em casos como o do K3B. Segundo porque o KDE é um tanto pesado e complicado. A interface dos aplicativos é de uma “lindura-complexa” que irrita, tem botão para todo lado e lembra o Windows 98 por incrível que pareça.

O KDE 3 era muito popular até ser substituição pelo KDE 4 que na época, foi apelidado de KDE Vista pela semelhança óbvia, tanto em problemas quanto em aparência. Hoje o KDE 4 amadureceu, ficou mais estável e leve. Mas a complicação que é usar os aplicativos deste ambiente me mantem longe dele.

LXDE e XFCE

São ambiente menores baseados no Gnome. Usam os mesmos aplicativos e os mesmos serviços em alguns casos. São apenas ambientes que se propõe em serem mais leves que a dupla Gnome/KDE.

Neste caso, os foragidos do Gnome 3 podem optar pelo XFCE que é idêntico ao Gnome 2 em vários aspectos. O LXDE é baseado no Openbox, conheço muito pouco sobre este projeto em especial.

Resumo da Opereta:

  • Gnome: fácil de usar até demais: ame-o ou deixe-o.
  • KDE: para impressionar as gatas usuárias de Windows.
  • LXDE e XFCE: para impressionar seus amigos nerds.

Compiz: porque evitar

O compiz é um sistema que adiciona efeitos especiais lindíssimos ao desktop Linux. Quando foi inventado era como mágica, hoje toda distro possui. Embora o Compiz tenha evoluído bastante de uns tempos para cá ele ainda apresenta uns probleminhas chatos de vez em quando que eu prefiro evitar. Além disto, mesmo que alguns recursos que ele ofereça sejam extremamente úteis (palavras de um viciado no Expo), para mim, ele pesa, é lento, tem bugs e é dispensável.

The end

Tutorial de Instalação: for Dummies

Existem tutoriais aos montes por aí aos montes, então procurarei ser breve neste aqui (não é tão for dummies assim). O meu objetivo é dar uma passeada no sistema e fazer algumas propostas de configuração do sistema.

Deram uma revisada no instalador, ficou bonito por sinal.

A instalação do openSuse pode não ser tão simples quanto a do Ubuntu, que segue a linha “NNF”, mas é bem fácil de fazer. Ela é dividida em 3 etapas:

  • Preparação
  • Instalação
  • Configuração

Preparação

Na etapa de preparação especificamos a maior parte das configurações do sistema. É daquelas instalações que perguntam tudo logo e depois trabalham. Isso é bom porque você não precisa ficar vigiando o computador.

Aqui escolhemos o idioma e configurações de teclado, preste atenção pois o padrão é inglês.
Aqui escolhemos o idioma e configurações de teclado, preste atenção pois o padrão é inglês.

Uma das vantagens de quem usa Linux é poder ter quanto idiomas quiser no computador. É ótimo para aprender. Preste atenção ao idioma que foi escolhido no começo da instalação pois ele será o padrão do sistema.

Perguntinhas básicas sobre você. Lembre-se que o relógio do computador pode ser UTC ou GMT. Se o horário estiver errado com o fuso certo tente desmarcar o UTC para ver se é isso.
Perguntinhas básicas sobre você. Lembre-se que o relógio do computador pode ser UTC ou GMT. Se o horário estiver errado com o fuso certo tente desmarcar o UTC para ver se é isso.

O particionador do openSuse não é fofinho como o Gparted era nos tempos do Kurumin, mas é menos assustador do que parece. Se você tem algo mais exótico como uma partição encriptada, o instalador perguntará a senha dela bem no começo, quando ele faz o levantamento de dispositivos.

Uma /home separada é bom para quem gosta de aventuras. Uma /home encriptada para quem tem medo da própria sombra.
Uma /home separada é bom para quem gosta de aventuras. Uma /home encriptada para quem tem medo da própria sombra.

Opções do particionador:

  • Adicionar: cria uma partição
  • Editar: modifica o ponto de montagem e formato
  • Mover: move pelo disco. Pode demorar muito se tiver conteúdo.
  • Redimensionar: Muda o tamanho. Pode ser problemático com NTFS.
  • Remover: apaga a partição.

Lembre-se que para partições encriptadas é preciso fornecer uma senha decente. Além disto nenhuma das partições /, /usr, /boot ou /var pode ser encriptada.

Mudaram a encriptação da senha de Blowfish para SHA-512, interessante...
Mudaram a encriptação da senha de Blowfish para SHA-512, interessante…

PS: usar a mesma senha de root e de usuário é uma péssima ideia.

Depois de tudo configurado é oferecido um resumo da instalação. Muito útil para ver se tem alguma coisa errada, estranha ou que tenhamos esquecido. Basta clicar na opção para acessá-la novamente. Aqui também temos acesso ao gerenciador de pacotes para instalar aplicativos interessantes antes da hora.

Para quem lê antes de assinar.
Para quem lê antes de assinar.

Instalação

A fase de instalação consiste de uma “simples e empolgante” tela de progresso mostrando o andamento da instalação. É um porre.

O Windows também promete empolgantes mundos e fundos durante a instalação. Parece até piada :)
O Windows também promete empolgantes mundos e fundos durante a instalação.

Configuração

A fase de configuração é praticamente opcional. Consiste de configurar a rede para baixar logo as atualizações bem como configurações de impressora e etc. A maior parte das opções pode ser ignorada. Na verdade, ele só te da a opção de configurar essas coisas se você pedir bem no começo da instalação.

Com isso finda a instalação. Agora o sistema reinicia e está pronto para funcionar.
Com isso finda a instalação. Agora o sistema reinicia e está pronto para funcionar.

Gerenciamento de Pacotes

Para quem não conhece, o gerenciamento de pacotes é como instalamos as coisas no Linux. Nada de passar horas no Baixaki catando coisas. Basta digitar o nome do que você quer e ele é baixado e instalado pelo Yast. O gerenciador de pacotes muda um pouco dependendo de qual ambiente você está usando. Acho o do Gnome mais fácil de usar. Além de instalar o gerenciador também atualiza programas. No openSuse (e no GNU/Linux como um todo) as atualizações incluem todos os programas e não apenas correções do sistema como as do Windows Update.

O DVD e a instalação padrão do openSuse (Gnome ou KDE) já tem quase tudo que você precisará em uma vida. Para aumentar as nossas opções devemos adicionar mais repositórios. Eles são servidores de onde o Yast baixa os programas que precisamos. Existem vários repositórios extraoficiais, mas os oficiais são suficientes para as nossas necessidades. No site do openSuse está a lista de repositórios disponíveis, mas nem precisamos ir lá para ver, o Yast pode fazer o download por nós:

Para acessar o gerenciador basta clicar no menu em "Instale/Remova Programas" ou diretamente no Yast e lá procurar por "Gerenciamento de Software".
Para acessar o gerenciador basta clicar no menu em “Instale/Remova Programas” ou diretamente no Yast e lá procurar por “Gerenciamento de Software”.

Adicionar repositórios é a coisa mais complicada do mundo. No gerenciador clique no menu Configuração > Repositórios. Lá está a lista dos servidores oficiais, ela é instalada por padrão. Agora clicamos em Adicionar para instalar novos repositórios. Para que ele baixe a lista dos extraoficiais basta clicar em “Repositórios da Comunidade”. Agora basta marcar os que deseja adicionar e assim que forem baixados, estarão disponíveis no gerenciador de pacotes.

Aqui estão os que instalei. Como mencionei antes, os oficiais são suficientes para a maioria das pessoas:

  • Packman: vários programas legais que não estão nos repositórios oficiais.
  • BuildService Mozilla: para ter sempre o firefox e thunderbird mais recentes.
  • BuildService LibreOffice: para atualizações mais rápidas do LibreOffice.
  • BuildService Gnome Apps: para mais aplicativos do Gnome. Tem uma versão para o KDE e LXDE também.
  • BuildService Educação: são programas educativos, mas tem coisas interessantes como BlueFish.

Coloquei outros também sobre PHP, Virtualbox e bancos de dados. Mas não vem ao caso para este tutorial.

Aplicativos Selecionados

Agora que temos os repositórios configurados, podemos pensar em que tipo de programas vamos usar. Como sou um usuário Gnome minha seleção de programas é baseada neste ambiente, porém uso programas do Kde eventualmente então temos alguns na lista. Notem que é possível misturar programas dos ambientes sem grandes problemas, apenas alguns aplicativos ficam com a instalação gigante como o Konqueror porque são a base do seu respectivo ambiente (KDE, no caso). Seguirei a estrutura do menu Gnome para mostrar os aplicativos:

Acessórios

  • Alarm Clock: um relógio que toca e faz coisas na hora marcada. Bom para gerenciar o tempo. Veja sobre ferramentas parecidas no Efetividade.
  • CherryTree: este programa é incrível, é como um EverNotes para Linux, bom para estudar.
  • Desktop Search (tracker): permite pesquisar arquivos e dentro deles. Util para achar coisas em uma vasta biblioteca de pdfs.
  • Grsync: um programa de backup e sincronização muito interessante para quem tem pendrives ou discos externos.
  • SeaHorse: um gerenciador de chaves pgp. Usado para guardar senhas e enviar emails criptografados. Para os paranoicos de plantão. No KDE a alternativa é o Kleopatra. Veja sobre os usos do pgp no Viva o Linux.
  • Tomboy Notes: um programa para anotações rápidas. Mais simples que o OneNote, mas muito interessante. Tenho um artigo sobre uma das aplicações do Tomboy.
  • Kruler: um aplicativo do KDE que coloca uma régua na área de trabalho. Útil para quem esta desenhando alguma coisa.
  • The Board: esse á uma grande loucura, consiste de um mural virtual. De pouca utilidade mas muito legal.
  • Xournal: o que eu gosto neste programa é a semelhança com o One Note. A habilidade de escrever em qualquer lugar de uma página em branco me faz muita falta as vezes.

Educação

  • Klavaro: aulas de digitação, nunca passo da terceira…
  • Scilab: um programa para estudos com matemática e modelos. Para pesquisadores. É semelhante ao R em alguns aspectos.
  • R-Base: uma linguagem orientada a objetos para cálculos matemáticos e estatísticos. Tem se tornado popular entre pesquisadores recentemente.
  • Jogos: O Gnome é cheio de joguinhos legais, o meu favorito é o MasterMind.

Gráficos

  • Blender: para fazer animações e modelos 3D. Usado por cineastas e cientistas também.
  • gThumb: um visualizador de fotos. Permite pequenas edições e conversões em massa. Lembra bastante o XnView para Windows.
  • InkScape: editor de gráficos vetoriais no estilo do CorelDraw, mas usa as especificações SVG.
  • mtPaint: um editor de imagens bem simples semelhante ao Ms Paint. Serve para criar pixel art.
  • Okular: o visualizador de imagens e pdf do KDE4. Gosto dele porque tem recursos que não são encontrados nem no Windows como comentários. Também abre uns arquivos exóticos como chm.

Internet

  • BlueFish: editor de códigos HTML, CSS, Javascript… é bem simples e prático.
  • Dropbox: é possível instalar o Dropbox pelo gerenciador de pacotes normalmente.
  • Empathy: um programa de mensagens instantâneas bem simples que suporta msn, gtalk, facebook e assim por diante.
  • Thunderbird: o cliente de email da mozilla é meu preferido em detrimento ao Evolution que vem por padrão.
  • uGet: um gerenciador de downloads.

Escritório

  • Lyx: um editor de arquivos Latex. Para quem não sabe, são usados para diagramação avançada de textos.
  • Planner: um gerenciador de projetos. Semelhante em algumas coisas ao MS Project.

Programação

  • Meld: este programa estranho compara dois arquivos e mostra a diferença entre eles. Uso para meus arquivos txt, nunca tentei com coisas mais complexas… No KDE tem o Kompare.

Som e Vídeo

  • Audacity: editor de áudio do Linux.
  • HandBrake: além de ripar DVDs ele é ótimo para converter filmes no formato MKV.
  • K3B: o gravador de cds do KDE4. É o melhor programa do gênero.
  • Rhythmbox: tocador de músicas. Acho ele mais leve que o Banshee que também é muito bom.

Ferramentas

  • Back In Time: um programa de backup que funciona de forma parecida com o Grsync. Ambos usam por base o rsync, escrevi algo mais específico sobre ele recentemente.
  • Krename: renomeia arquivos em massa. Suporta expressões regulares e é muito poderoso.
  • Virtualbox: Virtualizador. Foi com ele que fiz os testes do openSuse 12.1.
  • Scheduled Tasks: um gerenciador do Gnome para o cron. Serve para agendar tarefas. Mais completo que o Alarm Clock porque foi feito para isso.

Alguns aplicativos tem nomes diferentes no gerenciador de pacotes. Coloquei os nomes entre parênteses nestes casos. Lembre-se também que alguns deles já vem instalados por padrão.

Concluindo

O openSuse é um sistema muito bom e a nova versão não trouxe mudanças drásticas exceto pelo Gnome. Assim como aconteceu no KDE4, as pessoas resistiram a mudança e depois cederam. É natural que as interfaces evoluam e se transformem, é inevitável, nadar contra a corrente agora é tolice. Eu particularmente pretendo me manter na interface do Gnome 2 por uma questão de compatibilidade, esperarei umas atualizações do projeto Gnome que prometeram melhorar a performance do Gnome Shell. Quem sabe depois de habituado ao novo ambiente não dê uma nova chance ao Ubuntu? Por hora minha distro para momentos difíceis é o Mint, por sua excelente seleção de aplicativos e leveza.

Mint 9 “Isadora”, diga-se de passagem. Como é um LTS pode ser usado em ambiente de produção sem grandes percalços. Alias, estou pensando seriamente em um retrocesso com essa história de Gnome 3.

Quanto a seleção de aplicativos, está excelente a meu ver. Sinto um pouco de falta do Freemind que me eram de grande utilidade no Mandriva e ainda está de fora do openSuse. Os novos repositórios colocaram o Shutter, mas tiraram o Java e o Grsync dos contribs (que foram retirados como um todo), estou esperando uma atualização dos repositórios para ver se eles surgem sem ter que apelar para o factory. Fiz testes com o KDE4 no VirtualBox, é extremamente pesado então não pude fazer muita coisa. Notaram como vários aplicativos dele apareceram na lista acima? De qualquer forma ainda prefiro o Gnome e o Metacity, gosto mais do jeito clean das interfaces gtk.

Minha sugestão para quem vai adotar o Linux e ir direto para o openSuse ou Mint. Para quem já tem o 11.4 sugiro esperar um pouco mais. Quem está acostumado com essas atualizações sabe que demora um pouco para os repositórios sincronizarem. Deve ter milhões de pessoas acessando os repositórios ao mesmo tempo agora e alguns estão lentos e ficando fora do ar, isso aconteceu enquanto fazia os testes. Deixarei a instalação definitiva do 12.1 para o mês que vem quando a poeira baixar um pouco. Por hora estamos em testes ainda.

PS1: Mint 9 “Isadora” e Mint 12 “Lisa”

Notei uma dificuldade para dar boot com o live cd no meu notebook em especial e em algumas configurações específicas no VirtualBox também. Para resolver isto basta acrescentar o argumento “nomodeset”. Parece ser alguma coisa tola relacionada ao chipset da ATI.

PS2: Grsync e Java Sun

Por algum motivo o grsync e o java não estão em nenhum dos repositórios oficiais do 12.1. Para instalá-los tive que usar os pacotes online no build service. De qualquer forma implica na instalação de repositórios do Factory. O repositório que contém os pacotes é o Contrib:

http://download.opensuse.org/repositories/openSUSE:/Factory:/Contrib/standard/

Lembrando que para acessar os sites do Banco do Brasil é recomendável instalar o plugin Java e desinstalar o openJDK, eles conflituam entre si e o Firefox não ajuda muito quando tem que escolher entre um e outro…

Biologia + Ciências Naturais

VOL: Defesa pessoal com o GPG, Nautilus Scripts, partições encriptadas e leves doses de paranoia

Tux, the Linux penguin
Image via Wikipedia

No Viva o Linux by eu:

Dia desses, especificamente semana passada, imaginei o que seria de mim se meu notebook fosse roubado. Além do prejuízo e de ser meu único computador, me preocupa o fato de ter dados sensíveis nele. Além dos tradicionais cookies existem minhas senhas de email, históricos, arquivos pessoais e no caso de quem não tem impressora, mas é fã de PDF e TXTs, muitos dados pessoais diversos. Isso pode ser especialmente preocupante se documentos digitais são carregados com você.

Partindo de minhas novas preocupações com segurança, decidi pesquisar e implementar o máximo possível de soluções. Foquei em coisas práticas e fáceis de manter, pois odeio me prender a aplicativos ou formatos específicos (proprietários geralmente).

As soluções aqui apresentadas foram testadas em um ambiente Gnome rodando em openSUSE 11.4. Busquei focar em ferramentas padrão do mundo Gnu/Linux e do respectivo ambiente. O que apresento a seguir é um guia prático de segurança pessoal para desktop/notebooks.

Uma curiosidade do mundo da informática é que a internet e os computadores foram criados e um ambiente totalmente seguro e os dados que circulavam por ela estavam ali para serem livremente distribuídos. Falo dos primeiros computadores que controlavam mísseis (seguros localmente) e das primeiras páginas da Web que eram impalatáveis artigos acadêmicos (seguros “psicologicamente”).

Conforme a tecnologia ficou acessível para nós e para empresas surgiu a preocupação com segurança de dados. Até hoje os sistemas de segurança em TI são algo desenvolvido a parte pois o sistema em si é naturalmente inseguro em nome da praticidade, os velhos arquivos de senha do Windows que o digam.

Como Carlos Morimoto costumava dizer no GDH: “não existe segurança local”. Se seu computador for roubado, conforme-se, os dados estão na mão de quem pegou. Senhas do Windows, se existirem, são recuperáveis com aplicativos do Baixaki. E para quem usa Linux e nunca ouviu falar nos truques de recuperação de senha envolvendo Live-CDs: sinto muito… Felizmente existe uma forma de ao menos proteger os seus dados contra intrusos domésticos, como o seu cunhado, contras crackers desocupados na web e “pessoas que encontram coisas nas mãos dos outros”.

A encriptação é um processo fantástico que transforma uma informação qualquer em algo ilegível. Curiosamente a origem dos computadores modernos está ligada a isso e o próprio processo é mais antigo que a informática. Os romanos usavam códigos e truques bem primários para comunicação entre os militares como mensagens escritas em código, alfabetos trocados e coisas mais sofisticadas de vez em quando como ocultação química (tintas invisíveis). Algumas destas técnicas estão mais para esteganografia, que é esconder a mensagem, enquanto que criptografia é esconder o significado. Uma boa prática de segurança é usar as duas!

Biologia + Ciências Naturais

Linux nas Empresas e no Desktop

Por esses dias não estamos ouvindo falar sobre algum fenômeno como o “ano do Linux nos desktops”, o que pode ser um pouco hiperbólico, afinal segundo o Net Applications, o Linux está comandando uma porção de menos de 1% desse mercado, segundo o Net Applications. No âmbito corporativo, entretanto, o interesse no Linux está bombando, de acordo com uma pesquisa feita pela Linux Foundation e a Yeoman Technology Group.

Fonte: Guiadohardware

Essas estatísticas sobre a composição dos sistemas operacionais são sempre assunto para muita discussão. Por exemplo, muitos alegam que os sites monitorados pela Net Applications possuem um público muito Windows e isso faz uma estatística desfavorável ao Linux. Isso fica bastante evidente mesmo em sites de grande circulação como o MeioBit onde o público, digamos mais consciente, possui escolhas menos ortodoxas quanto a navegadores e sistemas.

A quem ainda não notou, sou o administrador do site da Mutual. Vejamos, é um site de um “Empresa Júnior,” sobre “Biologia”, “Empreendedorismo,” “Pesquisa” e etc… Notem que quase não há referência a estas questões técnicas de sistemas operacionais e assim por diante, mesmo assim, os dados de acesso do site mostram que:

  • 38% dos acessos são com o Firefox
  • Pelo menos 1% com Safari
  • 16,4% com o Chrome
  • Mais de 90% dos usuários é do Windows
  • Os acessos linux são tão poucos que provavelmente são só eu mesmo, porém, tem 1,5% de acessos vindos com MacOs
  • BONUS! Um acesso via iPod!

É um site sem nada em especial, no meio da internet com uma composição que eu diria ser bastante variada em termos de navegadores. Mostra claramente que a maioria absoluta dos usuários domésticos ainda é Windows mesmo no meio científico. Também mostra que a hegemonia do Internet Explorer não está ameaçada, de fato, já acabou faz tempo. Outros dados interessantes sobre OS’:

  • 64% dos usuários usam XP, seguido de 7 e Vista.
  • Tem UM acesso com Windows 98

A grande maioria dos acessos é do Brasil, creio que mostra bem a composição dos sistemas usados no nosso país. Tentei fragmentar os dados relacionando país e sistema operacional, mas a amostra fora do país é mínima. Isso seria muito interessante em um site grande a acessado internacionalmente pois teria implicações tipo: Que países mais usam Linux? Há relação entre a escolha dos sistemas e a educação no país ou com o desenvolvimento econômico?

A notícia do GDH na verdade foca no mercado corporativo. Realmente sempre foi o forte do Linux os servidores e grandes corporações em busca de segurança e simplicidade para suas redes. De uns tempo para cá, tenho notado pequenas empresas adotando o Linux. Por exemplo, ouço muito falar de Lans com Linux. Aqui em São Luís – MA nunca vi, em São Paulo sim. Outra, dia desses um amigo meu que tem um curso aqui na cidade me pediu para instalar o Mandriva em alguns computadores dele querendo mais segurança e controle sobre o uso da rede. O Banco do Brasil sempre foi um apoiador do Linux, mas só de uns tempos para cá que vi que começaram a usa-lo nos desktops de atendimento das agências e recentemente nos caixas eletrônicos. Mais que estatísticas, o crescimento do Linux no mercado como um todo já é bem tangível…

Biologia + Ciências Naturais

Mandriva 2010.1 Spring – Uma breve análise e dicas!

Olá pessoal!

Baixei o Mandriva 2010.1 na quarta e neste fim de semana fiz alguns testes nele. Neste artigo dou alguns comentários, dicas de links, dicas instalação e etc…

Para quem ainda não fez o download: a página da Mandriva

A maior distro da história da ultima semana…

O lançamento desta edição da distribuição foi realmente um parto. Esta versão estava prevista para o início do mês de Junho, quando o RC2 foi publicado, mas alguma coisa aconteceu na Mandriva e o lançamento foi adiado por mais de um mês. Abaixo a tabela do Wiki de desenvolvimento, com as datas de lançamento previstas e reais de cada marco do desenvolvimento.

Nome Data Planejada Data Real
Alpha1 08/01/10 09/01/10
Alpha2 02/02/10 06/02/10
Alpha3 03/03/10 10/03/10
Beta1 31/03/10 02/04/10
Beta2 30/04/10 30/04/10
RC 19/05/10 20/05/10
RC2 01/06/10 02/06/10
Final release 05/07/10 08/07/10

A questão é que aparentemente, a Mandrivasoft passou por um aperreio financeiro e foi salva por um grande aporte de investidores. Histórias assim surgem todo ano, mas nunca chegaram a causar atrasos ou preocupação significativa na comunidade como desta vez. Até agora só ouvi boas notícias vindas do país dos queijos e vinhos, então espero que esteja tudo bem com a empresa agora e se não estiver, estará, pois o Mandriva 2010.1, desde suas versões experimentais vem mostrando-se um sistema excelente. Vejamos.

Instalação

Muito pouco mudou na instalação do sistema. Os temas gráficos ainda são os mesmos do 2010. O que caracteriza uma versão .1 ou Spring é a correção de falhas e outras coisitas que passaram em branco na versão principal do ano. Por isso, as versões Spring têm fama de serem as melhores do ano.

Idiomas

Uma das coisas que mais gosto no Linux é poder instalar o suporte a vários idiomas. Isso é muito interessante para quem está aprendendo pois da a possibilidade de uma imersão total sem prejudicar sua produtividade. Isso por que é possível alternar entre os idiomas do sistema sem grandes percalços, ao contrário de outros sistemas onde você teria que manter várias instalações paralelas….

Multiplos idiomas: Uh la la

Dica: Para instalar múltiplos idiomas, basta selecionar a Multi Languages e escolher os que deseja. Serão instalados os pacotes para cada um bem como os suportes para teclados destes países e correções ortográficas para o Firefox, Thunderbird e OpenOffice. Legal né?


Particionamento

O particionador é o bom e velho Diskdrake que é um dos melhores particionadores do mundo linux. Uma dica para quem usa Linux em paralelo com o Windows é ter partições de comunicação entre os dois sistemas pois o suporte a NTFS do linux ainda causa um tremenda perda de performance devido a incompatibilidades e fragmentação de disco. Uma composição de partições que pode evitar isso seria esta aqui:

  • Linux
  • Windows
  • Arquivos Pessoais
  • Arquivos Dinâmicos
  • Swap

Nesta partição de Arquivos Dinâmicos, você separa arquivos muito instáveis como downlodas do emule, torrents, arquivos temporários e etc… Isso evita fragmentação severa e possíveis perdas de dados nas partições realmente importantes. Pode ler mais sobre isto neste artigo aqui.

Diskdrake
Diskdrake

Desktop

É aqui que muitos iniciantes se perdem e os veteranos se enrolam. O Mandriva oferece dois principais ambientes Desktop: KDE e GNOME. Vejamos as características de cada um deles:

Legal ;) Hum…
KDE 4
  • O sistema é muito bonito
  • Permite ampla personalização
  • Os Plasmids agragam muitas funcionalidades ao Desktop
  • Se integra muito bem ao Compiz Fusion
  • Ambiente completo com muitas ferramentas como:
  • Koffice
  • Protocolos
  • Ferramentas de Configuração
  • Suporte e Desenvolvimento
  • É bem pesado
  • Exige uma certa compatibilidade da placa gráfica ou nada feito
  • É bem instável em alguns computadores
  • Nem todos os componentes foram migrados para o KDE 4 e estão levemente incompatíveis com o novo ambiente
GNOME 2.30
  • Possui diversas ferramentas de configuração
  • É um ambiente desktop completo e fácil de usar
  • Se integra sem problemas ao Compiz Fusion
  • Tem fama de ser simples demais
  • É considerado limitado por alguns usuários avançados

Discutir qual o melhor é uam guerra de flames sem fim que não terá nenhum resultado. Particularmente, uso o Gnome por considerá-lo satisfatório e por que já tive minha dose de problemas com o KDE 4…

Recomendo usar a instalação personalizada

Dica: O DVD vem com a instalação de tudo no sistema. Mesmo assim, recomendo a instalação de um sistema base bem simples, e que geralmente leva 30 minutos, em vez da instalação e tudo de uma vez. Isso evita alguns problemas que podem surgir de bugs na instalação.

Depois disto é só aguardar, depois você será questionado sobre a senha de Root, usuários e outras configurações menores… e bang, sistema instalado!

Quase lá...

Usando

A nova tela de login é muito bonita ;)

Quem es tu!?

Um dos grande diferenciais do Mandriva é o Control Center. Ele funciona como o painel de controle do Windows e concentra algumas ferramentas de configuração e gerenciamento do sistema. São coisas que você teria que fazer na linha de comando do Slackware ou com as ferramentas nativas do Gnome no Ubuntu.

Mandriva Control Center

Dica: O Mandriva Control Center tem até uma versão em modo de texto para emergências, para chamar basta digitar: mcc


Instalando Programas

A instalação é feita pelo RPM Drake. Esse programa já foi bem complicado de se usar, mas hoje em dia é uma beleza.
Configurações precisam ser feitas para que o RPM Drake fique satisfatório, clique em Configurar Mídias para Atualização e Instalação de Novos Programas, depois no menu Opções > Opções Globais. Aqui é possível definir alguns comportamentos do instalador:

  • Sempre verificar RPMs: usa assinaturas digitais para previnir instalação de pacotes falsos ou corrompidos. Evita muitos problemas.
  • Download de Metadados: uso “Nunca” por que toda hora ele baixa informações sobre os pacotes, se a internet não for super rápida fica muito chato.
Configurando o RPMDrake

Dica: Recomendo instalar primeiro os programas que estão no DVD e depois instalar os repositórios. Isso torna a configuração e instalação do sistema mais simples, mesmo que a distro não seja tão nova e precise de atualizações.

Esta é uma lista de pacotes que recomendo instalar. Foi modificada a partir do How-to-Forge para se adaptar ao que uso realmente:

Gráficos:

Internet:

  • Firefox
  • Flash Player
  • Thunderbird
  • Transmission BitTorrent Client

Escritório:

Audio e Vídeo:

  • Amarok
  • MPlayer
    • mplayerplugin
  • Rhythmbox Music Player
  • Totem
  • Brasero
  • K3B
  • Multimedia-Codecs
    • win32-codecs
    • real-codecs
    • helixplayer
    • helixplayer-helix-codecs
    • helixplayer-mozilla-plugin

Programação:

  • KompoZer
  • Bluefish
  • Quanta Plus
    • kdewebdev4

Outros:

  • VirtualBox OSE
  • Java
  • cabextract eunrar
  • gRsync
  • Outro desktop – para emergências, como o LXDE (task-lxde)

Uma instalação padrão do Gnome vem com a maioria deles. Nos sub-tópicos estão especificados os nomes dos pacotes que precisam ser instalados individualmente como no caso do MPlayer.

Dica: para uma melhor compatibilidade com o FlashPlayer desinstale o pacote swfdec que é o player padrão. O Swfdec não funciona direito e enquanto não for removido o Flahsplayer vai se comportar de forma imprevisível. No meu não veio instalado, mas uso uma instalação mínima então….

Conclusões

  • Para um desktop normal não houve modificação significativa no novo sistema exceto por algumas seleções de pacotes como o Kompozer, que agora é distribuído na versão 0.8.
  • Dá pra perceber que o sistema ficou mais leve e com um boot bem mais rápido usando o Gnome. No KDE 4 a lerdeza é tão grande que parece que estou usando o Windows Vista =(
  • Algumas inconsistências nos sistemas de pacotes foram resolvidas e pacotes antigos ou que não existiam mais nos repositórios foram removidos para sempre.

O sistema ficou muito bom, a equipe da Mandriva está de parabéns, como sempre. Esta é uma das distribuições mais estáveis, compatíveis e fáceis de usar que conheço. Já instalei em vários computadores de amigos meus e a maioria a usa como sistema principal.

UPDATE!

Mais sistemas testados e mais problemas surgem, vamos resolve-los?

Boot travando

Uma coisa que aconteceu no meu Desktop foi que o primeiro boot travou. Travou total, acorre logo que o kernel carrega e começa a trabalhar a udev. Estranho não? Nenhum modificação feita durante a instalação resolveu. Na verdade é um problema com o vídeo, é que meu chipset Via é bugado em relação ao suporte gráfico e as vezes dá essas coisas estranhas. Uma forma de contornar o problema é evitar o uso do FrameBuffer durante o Boot. Para isso, na tela do Grub pressione “ESC” para acessar o grub não gráfico, lá terá uma opção:

“linux-non-fb” – significa carregar o sistema sem usar o framebuffer, é diferente do modo de segurança que carrega o sistema em modo mono-usuário. Com isso você terá acesso às configurações gráficas do MCC e atualizações até que o problema suma de vez.

Há uma discussão sobre isso no Forum MandrivaBrasil

Problemas com permissões

Depois que o Mandriva passou a adotar políticas de segurança mais rígidas, também surgiram problemas com permissões de arquivos para que usa o NTFS ou dual-boot. A solução é bastante simples e tem dois caminhos:

Caminho longo (Mandriva Control Center):

O que geralmente acontece é que você pode montar as partições NTFS mas não pode gravar nelas pois está tudo em nome do Root e com acesso restrito. A solução paliativa é montar manualmente a partição. Uma solução definitiva é configurar as permissões da partição permanentemente usando o FSTAB . É bem simples, basta adicionar o parâmetro:

UMASK=000” – significa, liberal geral para “Dono”Grupo”Outros”

Outra forma de adiciona-lo é pelo MCC. Acesse-o e vá até o Diskdrake, mude para Modo Expert, clique na partição e depois em Opções. Nas opções tem algumas coisas interessantes como Allow User, clique em Avançado. Aqui você pode adicionar os parâmetros manualmente. Coloque o UMASK e feche o Diskdrake para que ele salve o novo FSTAB. Agora remonte as partições manualmente para que as novas configurações seja ativadas. Isso deve resolver o problema permanentemente.

Caminho Curto (NTSF-config)

Esse é sacanagem: instale o pacote ntfs-config, ele é um utilitário gráfico para configurar acesso a permissões de partições NTFS-3G. Depois é só acha-lo no menu Mandriva e configurar as partições existentes.

E tem mais uma. Se durante a instalação você configurou o perfil de segurança do sistema como Seguro ou coisa pior, o acesso a partições NTFS será mantido como somente leitura na marra. Você terá que configurar as opções de auditoria também em MCC > Segurança > Configure a segurança, permissões e auditoria > Configurações de Segurança > Segurança do Sistema:

Vá até a opção WIN_PARTS_UMASK para definir o UMASK de todas as partições FAT/NTFS montadas no sistema.

Biologia + Ciências Naturais

Linux Vs. E. coli

Taí um assunto que eu adoro: A relação entre sistema biológicos e computacionais:

Peguem como exemplo um estudo recente publicado na PNAS. Pesquisadores compararam a rede regulatória de dois sistemas. Um sistema biológico, a bactéria Escherichia coli, já que ela possui muitos de seus genes conhecidos (trata-se de um dos organismos mais estudados) e um sistema operacional, o Linux, pois seu código é de acesso livre e seu desenvolvimento é muito bem documentado.


Os genes (fatores de transcrissão) de E. coli e os comandos do Linux foram classificados em três categorias: as reguladoras, funções que apenas invocam outras, e não são chamadas (controladas) por ninguém (em amarelo acima); as controladoras, chamam e são evocadas por outras funções (em verde); e as efetoras, funções que apenas realizam tarefas, sendo chamadas sem controlar mais ninguém (em roxo).

As diferenças entre os sistemas foram impressionantes. A primeira delas, que já fica clara com a figura, é a distribuição das funções. Em E. coli, menos de 5% das funções são controladoras ou reguladoras, a maioria é efetora. Estes genes, geralmente enzimas, obedecem a poucos reguladores. Já no Linux, 80% das funções são reguladoras ou controladoras, e muitas delas chamas os mesmos efetores.

Veja o artigo completo no Rainha Vermelha