Biologia + Ciências Naturais

Quando a Biosfera invade e Litosfera

ResearchBlogging.orgDesde que a vida existe neste planeta ela tratou de espalhar-se por todos os ambientes possíveis; microrganismos podem ser encontrados em ambientes tão diversos que fica difícil imaginar qual seria o ambiente onde as primeiras células teriam se originado e da mesma forma dificulta imaginar como seria o mundo sem a presença delas em todos os mínimos processos da superfície. O que vos trago hoje é um artigo que me chamou a atenção a algumas semanas atrás, eu o teria ignorado, mas presenciei uma discussão recente sobre o assunto que ainda está fresquinha na minha cabeça.

Pesquisadores reportaram presença de bactérias ativas em testemunhos de mar profundo. A presença de extremófilos próximos às fontes termais já é bem conhecida gerando muitas surpresas e tecnologias interessantes. Vestígios de bactérias em sedimento profundo já foram relatados anteriormente na forma de DNA fóssil ou modificações texturais nas rochas recuperadas. O que nos é apresentado de novo é uma evidência de atividade bacteriana recente, ou seja, microrganismos vivendo DENTRO de rochas em alta profundidade.

Para quem não sabe, o processo de duplicação do DNA in vitro – PCR, Reação em Cadeia da DNA Polimerase – hoje tão usado nos laboratórios de genética só é possível graças à descoberta de bactérias que vivem em fontes termais próximas aos limites de placas tectônicas (o wiki em inglês é bem melhor). É delas que roubamos apreendemos a tecnologia para replicação do DNA em altas temperaturas.

A primeira evidência de vida são sequencias de DNA sequenciadas e compatíveis com  microrganismos produtores de metano. Esse DNA poderia ser material preservado da superfície como nos outros casos, mas a análise isotópica revelou que se trata de material muito recente. Outras análises de isotopia foram realizadas para avaliar os ciclos biogeoquímicos do enxofre, carbono e ferro dentro do basalto; os resultados mostram um ciclo ativo dentro das rochas compatível com atividade microbial que exclui a possibilidade de um evento puramente inorgânico. Por fim, amostras dos testemunhos foram incubadas em meio rico em sulfatos, hidrogênio e metanol como substrato à 65ºC (a temperatura média do basalto no local de sondagem é de aproximadamente 64ºC). Depois de 7 anos de cultura (haja paciência…), metano e empobrecimento do carbono 13 indicaram a atividade de produtores de metano. Os sequenciamentos acusaram a presença de produtores de metano e redutores de sulfato e ferro.

Sete anos depois! “trabalhar com genética é rapidinho, só fazer uma PCR e pronto ;)”, mas trabalho de verdade é outra coisa…

Este tipo de evidência mostra o quanto a biosfera já se espalhou pelo planeta. A presença de vida dentro das rochas mostra tanto a flexibilidede da vida em existir nas condições mais inóspitas possíveis quanto o quão presente ela já está nos processos da litosfera. Imaginem os sistemas geológicos da Terra, tão inorgânicos aparentemente, se fossem realmente estéreis: seriam a mesma coisa?

Referências

Lever, M., Rouxel, O., Alt, J., Shimizu, N., Ono, S., Coggon, R., Shanks, W., Lapham, L., Elvert, M., Prieto-Mollar, X., Hinrichs, K., Inagaki, F., & Teske, A. (2013). Evidence for Microbial Carbon and Sulfur Cycling in Deeply Buried Ridge Flank Basalt Science, 339 (6125), 1305-1308 DOI: 10.1126/science.1229240

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