Dicas, Paleontologia

Desgalvanizando fósseis

Quem trabalha com paleontologia sabe como é metalizar um material. Para quem não conhece é o seguinte: eventualmente precisamos fazer imagens de alta resolução de certos materiais e a técnica mais comum envolve usar o microscópio eletrônico de varredura (MEV). O problema é que o MEV exige que o material a ser fotografado tenha uma certa condutância para que os feixes de elétrons possam foca-lo adequadamente, geralmente somente objetos de metal ficam bem na foto. A solução é revestir o material com uma cobertura metálica – ouro é o mais usado, é praticamente uma galvanização.

Detalhe de micrografia de dente de crocodilomorfo: dados e mais dados…

As fotos ficam lindas, o problema é que depois delas o material fica inútil, ele vira uma pecinha de ouro. Para materiais translúcidos que tenham estruturas internas isso é um baita problema. Alguns microfósseis precisam ser estudados sob o efeito de vários níveis de foco, com a metalização temos imagens ótimas apenas da superfície do material. Dentes pequenos de mamíferos e crocodilos também precisam de metalização para serem fotografados no MEV, mas depois disto ficam péssimos para serem estudados em lupa ou fotografados tradicionalmente.

Eu dei sorte na minha monografia, meu material sofreu uma fossildiagênese que o impregnou com óxido de ferro, os espécimes já eram praticamente pedacinhos de metal e puderam ser fotografados sem nenhum sacrifício.

Pesquisadores da Universidade de Leicester desenvolveram um processo que permite a remoção da camada metálica. O processo consiste de usar uma solução iônica com ponto de fusão baixo para promover a oxidação do metal sem danos ao material. Foram feitos testes com microfósseis carbonáticos e fósseis de vertebrados fosfatados. Nenhum dano foi percebido em materiais montados com adesivos, embora exista uma suspeita de perda da adesividade em alguns microfósseis.

Esse método é uma alternativa aos processos anteriores que demandavam reagentes muito tóxicos. Os subprodutos desta reação podem ser descartados sem muitos problemas, segundo os autores. Embora testes com outros tipos de materiais como fósseis de sílica e outros adesivos ainda devam ser realizados, já temos uma opção para reaver os espécimes que estão metalizados pelas coleções das universidades.

Via: ScienceDialy

Artigo:

Non-destructive, safe removal of conductive metal coatings from fossils: a new solution

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