Biologia + Ciências Naturais

Vazamentos de Gás e Energia Alternativa

ResearchBlogging.orgDe volta a ação. Agora com o mestrado, fiquei meio sem tempo de publicar, por outro lado, acredito que a qualidade dos posts será melhor (espero). Além disto, teremos algumas mudanças nos temas, um pouco mais de Geologia e menos de Biologia, mas C’est la Vi!

Já estamos de saco cheio de saber do aquecimento global e mudança climática. Embora eu tenha muito mais dúvidas agora do que antes em vários aspectos, por exemplo, a subida dos níveis dos mares, tão comentada, é produto apenas da mudança climática ou tem fatores como erosão, eustasia e subsidência incluídos? Até que ponto o efeito estufa é natural ou antrópico? Meditarei sobre o assunto, por hora, meu interesse está nas soluções.

Precisamos nos livrar do petróleo como fonte de energia, a indústria petroquímica é importante demais para continuemos queimando sua matéria-prima. Fusão Nuclear? Ainda não. Carros Alcoólatras? Estamos trabalhando nisto. Por hora temos o gás natural, que está em franco crescimento, mas será uma boa ideia? Este artigo interessantíssimo trata do assunto e alerta para alguns riscos desta alternativa.

O Gás Natural emite menos carbono que a Gasolina, Diesel e Carvão na mesma quantidade de energia. Perfeito, menos poluição sem perda de produtividade, porém, isso considera apenas um aspecto da energia. Quando levamos em consideração todo o ciclo de vida do combustível, desde exploração, transporte, armazenagem até venda ao consumidor final, a vida deixa de ser em preto e branco. O principal componente do Gás Natural é o CH4, um agente poderoso de aquecimento global. Mesmo sabendo que ele será convertido em CO2 atmosférico neste ciclo, temos que considerar perdas durante o transporte, e neste caso específico isso implica em liberação direta de CH4 na atmosfera: um grande problema.

Existem poucos dados sobre as perdas em transporte e armazenagem de gás. Um levantamento feito pelos autores mostra que alguns poços são responsáveis por boa parte das emissões. A EPA (agência ambiental dos EUA) sugere que os vazamentos de gás variam em torno de 3 a 3,2% em diversos setores. Sobre o vazamento diretamente nos carros, poucos se sabe.

Para avaliar o impacto de um gás no aquecimento global é usado o índice GWP (potencial de aquecimento do gás) que compara a substância em questão com o  CO2 em função do tempo (tempo de residência na atmosfera). Esse índice tem algumas limitações, ele permite comparações bem pontuais apenas. Uma alternativa é o TWP (potencial de aquecimento da tecnologia) que considera o GWP de um gás em relação a outro em função do tempo o que permite avaliar cenários detalhados.

Com isso é possível comparar uma transição de veículos a gasolina para gás e avaliar quanto tempo seria necessário para colher os benefícios. Por exemplo, toda a conversão da frota de carros dos EUA para gás causaria um grande impacto ambiental pela liberação de CH4. O gás natural só se tornaria benéfico depois de 80 anos da conversão e mesmo assim, só seria viável se os vazamentos fossem reduzidos para 1,6% dos atuais 3%. Para a conversão de uma frota de veículos pesados (diesel) seriam necessários perdas menores que 1% para benefícios nos próximos 300 anos. Para usinas de carvão as vantagens seriam imediatas, desde que as perdas continuem abaixo de 3,2%.

O gráfico acima mostra quanto tempo levaria para que o impacto da conversão para gás natural levaria para se dissipar em relação a gasolina (a), diesel (b) e carvão (c). Note como há vantagens imediatas na conversão do carvão, mas na gasolina e diesel a situação se complica.

Isso me lembrou uma coisa: se produz muito mais comida do que o necessário para alimentar a população mundial. Então porque existe fome? Porque boa parte da produção é perdida em transporte e armazenagem. Se você for em uma zona portuária onde navios graneleiros atracam, sentirá um cheiro repugnante, sabe o que é? Soja estragada. Será que nem do que dá lucro cuidamos direito?

Referências

Alvarez, R., Pacala, S., Winebrake, J., Chameides, W., & Hamburg, S. (2012). Greater focus needed on methane leakage from natural gas infrastructure Proceedings of the National Academy of Sciences, 109 (17), 6435-6440 DOI: 10.1073/pnas.1202407109

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