Paleontologia

Dinos e a obstetrícia: O caso do Plesiossauro

ResearchBlogging.org

Os plesiossauros são um grupo muito importante de répteis marinhos. Eram bastante comuns durante seu tempo, mas desapareceram completamente com o fim da era dos dinossauros. Também fizeram o favor de não deixar nenhum parente próximo para termos uma ideia de como eles viviam. Bem, até agora se supunha que eles colocavam ovos. Pode parecer loucura já que chocar ovos amnióticos em ambiente marinho parece impossível, mas as tartarugas o fazem. Mesmo assim paira uma dúvida no ar pois a estrutura física do Plesiossauro é bem imprópria para que ele venha até uma praia para desovar…

Plesiossauro
Plesiossauro, mais conhecido como Monstro do Lago Ness, mas também atende pelo nome de Lapras! (na beira da praia? tenho minhas dúvidas)

Agora surgiu uma evidência importante de que os Plesiossauros, pelo menos da espécie Polycotylus latippinus, eram vivíparos. Isso não é tão chocante assim pois dinossauros vivíparos existiam, mas esta é a primeira vez que uma evidência como esta é descrita para um grupo tão representativo.

Tudo começa em 1987, quando um espécime semi-completo é encontrado no Kansas, um Plesiossauro adulto com um pequeno embrião dentro de si. O pequeno embrião diga-se não é tão pequeno assim, já era bem grande e foi estimado como estando em 2/3 desenvolvido. Seu tamanho já é bem fora do comum para outras espécies de répteis extintos e existentes, mas próximo dos padrões de tamanho encontrados atualmente em Cetáceos (Baleias e Golfinhos). O material é do Membro Sharon Springs, data do Campaniano (Cretáceo Superior). O espécime foi descrito agora por O’Keefe e Chiappe em artigo publicado na Science.

O pequeno dinossauro é formado de vários fragmentos de ossos pouco ossificados e com várias características típicas de um embrião. Dentre as evidências mais importantes de que realmente se trata de um feto pesam as características embrionárias, o fato ser da mesma espécie do esqueleto maior e de estar integrado a uma matriz que se formou a partir dos restos viscerais da “mãe”, o que por si sugere que estava dentro dela durante a deposição.

Esta descoberta trás implicações importantes. A principal delas é confirmar as suspeitas de viviparidade do Plesiossauro. O tamanho do feto também é importante, sugere que era o único de uma ninhada o que caracteriza uma Seleção K. Isso significa que a fêmea dava luz a um único filhote grande em vez de uma ninhada de vários (Seleção R) o que geralmente implica em cuidados parentais de longo prazo. Este tipo de comportamento atualmente é encontrado em Mamíferos aquáticos (justamente os Cetáceos) e um pequeno grupo de lagartos, os Egernia, que além da seleção K também apresentam um comportamento social sofisticado. Será que os Plesiossauros eram as baleias de seu tempo?

Fonte:

O’Keefe, F., & Chiappe, L. (2011). Viviparity and K-Selected Life History in a Mesozoic Marine Plesiosaur (Reptilia, Sauropterygia) Science, 333 (6044), 870-873 DOI: 10.1126/science.1205689

4 comentários sobre “Dinos e a obstetrícia: O caso do Plesiossauro

    1. Infelizmente só as do texto. Apesar de ter ficado surpreso com a quantidade, pois nunca tinha ouvido falar, são todos exemplos de répteis marinhos. O único caso terrestre é da Egernia, mas já é Squamata.

      No artigo tem uma tabelinha onde eles comparam os tamanhos dos neo-natais para discutir a história da seleção K:

      • Stenopterygius quadriscissus (Ichthyosauria)
      • Carsosaurus marchesetti (Mosasauroidea)
      • Hyphalosaurus baitaigouensis (Choristodera)
      • Sauropterygia:
      • Lariosaurus valceresii
      • Neusticosaurus peyeri
      • Keichousaurus hui

      Alias, enquanto pesquisava os bicho achei isso aqui sobre saurópodes encontrei isso aqui “O meme da viviparidade em Saurópodes

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