Biologia + Ciências Naturais

A vespa que investiu em energia solar

A energia solar é uma das formas de energia alternativa mais promissoras. O Sol vai funcionar por bastante tempo e o potencial é imensurável. Quer uma ideia de escala? Praticamente toda a energia que sustenta a vida na Terra é solar, capturada pelas plantas e algas e transformada carboidratos durante o processo de fotossíntese.

O que pesquisadores descobriram agora é que um certo tipo de vespa (Vespa orientalis) parece conseguir usar energia solar para produzir energia para suas atividades também. A pesquisa foi publicada no Naturwissenchaften e divulgada pelo ScienceDialy.

Vespas em geral são mais ativas durante a manhã. Já se sabia que algumas espécies de vespas orientais eram mais ativas perto do meio dia, justamente quando a incidência de luz solar era maior, mas se desconhecia o porque. Par esclarecer a questão, os pesquisadores verificaram quais fatores estariam influenciando este comportamento. Será que ao meio-dia o ar é mais seco ou a temperatura mais adequada? O resultados mostraram que o que realmente induzia as vespas a saírem de casa era a incidência de radiação UVB. Detalhe, esta espécie constrói ninhos subterrâneos.

Fotos da estrutura da cutícula. Notem que as camadas ficam mais finas de fora para dentro. Isso dificultaria a luz de voltar para o exterior, aumentando a captação.
Fotos da estrutura da cutícula. Notem que as camadas ficam mais finas de fora para dentro. Isso dificultaria a luz de voltar para o exterior, aumentando a captação.

 

Por que essa vontade toda de pegar um Sol? As estrias amarelas no corpo da vespa são ricas em um pigmento chamado Xantopterina. As Pterinas em geral são pigmentos que já foram associados com a fotossíntese por captarem radiação dos espectros próximos do azul e UV em algumas plantas. De fato, quando a cutícula da vespa é exposta à luz surge um diferença de potencial elétrico nela. Além da proteína, a estrutura da cutícula permite uma melhor captação da energia solar com efeitos anti-reflexo na superfície externa e camadas internas progressivamente mais finas que criam efeitos de refração interna.

Além disto os pesquisadores mencionaram para o ScienceDialy que haviam descoberto outras funcionalidades como um sistema de resfriamento na cutícula que auxilia a manter as atividades sob Sol sem superaquecer e um sistema de localização acústica que ajuda a se orientar no ninho escuro. Eles também tentaram reproduzir os mecanismos de captação de luz da vespa, mas não obtiveram uma eficiência semelhante. De qualquer forma, estamos diante de uma solução orgânica engenhosa para um problema energético complicado. Agora resta saber se conseguiremos transformar a dica da vespa em algo útil.

 

Artigo:

Marian Plotkin, Idan Hod, Arie Zaban, Stuart A. Boden, Darren M. Bagnall, Dmitry Galushko, David J. Bergman. Solar energy harvesting in the epicuticle of the oriental hornet (Vespa orientalis). Naturwissenschaften. 2010.

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