Paleontologia

O voo do Pterodáctilo

Coisas legais acontecem quando alguém usa sua curiosidade e experiência em uma área da pesquisa para trabalhar em outra, aqui está um exemplo: Colin Palmer é um engenheiro pesquisando paleontologia em Bristol e usou sua experiência “nada haver” para descrever como funcionaria o processo de voo dos Pterodáctilos. A pesquisa relatada pelo ScienceDialy, foi publicada em 24 de Novembro no Proceedings of the Royal Society B.

Ele construiu pequenos modelos do dinossauro voador usando resinas, plástico e fibra de carbono. Os modelos foram submetidos a testes no túnel de vento. Os resultados mostraram que o voo do Pterodáctilo é mais lento e menos aerodinâmico do que o esperado. Era um voo mais parecido com o dos urubus os quais dependem das correntes ascendentes de ar e bem menos parecido com o dos albatrozes que planam em alta velocidade.

Com isso surgem outras questões. Era um animal grande com ossos frágeis, porém muito mais leve do que se pensava, então susceptível a se machucar ao aterrizar ou se pego por ventos mais fortes. Segundo o autor, eles provavelmente teriam uma técnica de aterrissagem que permitisse descer lentamente no solo.

Claro, como tudo na paleontologia o assunto é extensamente discutível. Enquanto Palmer brincava de paleoareomodelismo, Witton & Habib pesquisavam como eles levantavam voo. Os resultados estão em um artigo publicado na Plos One, também relatado pelo site ScienceDialy. Isso é bem pertinente, um avião é pesado e voa, mas chega lá em cima e desce com muito custo. Então como répteis voadores tão grande alçavam voo?

Segundo Witton e Habib os Pterodáctilos usavam os músculos peitorais poderosos e imensos para fazer salto com vara! Como assim? As ave atuais podem pular com as pernas, correr ou bater asas rápida e furiosamente para alçar voo. Os Pterodáctilos não podiam bater asas assim pois eram grandes demais nem podiam dar saltos com as pernas. Então o método de decolagem seria lançar-se no ar apoiado nas próprias asas, longas e fortes, como em um salto com vara. Depois precisavam apenas de alguns impulsos das enormes asas para ganharem altitude. Este tipo de coisa mostra como comparar formas de vida totalmente diferentes pode levar a interpretações equivocadas. Por muito tempo se pensou que Pterodáctilos gigantes não poderiam voar pois a anatomia deles não é compatível com o estilo de voo das aves atuais. Só esqueceram que eles não são aves… (e nem serão, ou seriam =)

Como seria o sistema de voo dos Pterodáctilos gigantes. Aqui ele já está saindo do chão com as asas servindo de apoio. (do artigo de Witton & Habib)
Como seria o sistema de voo dos Pterodáctilos gigantes. Aqui ele já está saindo do chão com as asas servindo de apoio. (do artigo de Witton & Habib)

 

Bem, vamos ao que interessa. Para alçar um voo tão alto o Pterodáctilo precisaria de ossos extremamente resistentes, o oposto do que foi descrito por Palmer no artigo anterior. O que acontece aqui é o seguinte: Witton & Habib estão descrevendo um método de decolagem para os Pterodáctilos gigantes, um grupo específico cuja a capacidade de voo tem sido questionada na literatura, especialmente Pteranodon e Quetzalcoatlus northropi. Palmer discute a técnica de voo de um modo mais geral, sendo que a forma de voar, usando correntes ascendentes e batidas de asa lentas e vigorosas, se aplica também aos Pterodáctilos gigantes e é comparável de certa forma de com a de aves marinhas, porém nem tanto como ele próprio discutiu. A grande diferença aqui é como as espécies de grande porte (leia-se “Enormossáuros”) faziam para lançar-se no ar. Isto só mostra, a meu ver, que os Pterodáctilos eram um grupo muito mais diversificado do que parecem à primeira vista.

Artigos:
Colin Palmer. Flight in slow motion: aerodynamics of the pterosaur wing. Proceedings of the Royal Society B, November 24, 2010 DOI: 10.1098/rspb.2010.2179

Mark P. Witton, Michael B. Habib. On the Size and Flight Diversity of Giant Pterosaurs, the Use of Birds as Pterosaur Analogues and Comments on Pterosaur Flightlessness. PLoS ONE, 2010; 5 (11): e13982 DOI: 10.1371/journal.pone.0013982

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