Biologia, Tecnologia

Um nova técnica melhora a extração de Biocombustíveis de celulose

Um dos grandes problemas dos biocombustíveis é a competição com outras formas de agricultura. Muitos adversários do etanol e biodiesel afirmam que plantar biocombustíveis reduz as áreas de plantio para alimentos o que faria o preço destes últimos aumentar acentuando os problemas da fome no mundo. A discussão até que faz sentido, mas já foi mostrado que, até agora, as altas nos preços dos produtos agrícolas nada tem haver com as plantações de cana, beterraba e milho usadas para produção de biocombustíveis. Entretanto, agora temos uma produção pequena, e quando tivermos produção de etanol em larga escala, para suprir as necessidades de toda a frota de veículos do país? A questão é preocupante.

Um outro problema que apontam nos biocombustíveis é seu custo/benefício. Muitos alegam que é contra-produtivo investir tanto na extração de tão pouco etanol, como é o caso das plantações do Brasil onde muitas dependem de subsídios do governo federal para funcionarem plenamente. Outros apontam como solução o biocombustível de algas, o qual não compete com as plantações normais e é muito mais produtivo, porém, esbarra nos custos exorbitantes para se manter uma cultura algal na escala necessária.

A produção atual de biocombustíveis depende em muito da ação de bactérias. O processo todo, como no caso da cana, consiste de extrair açucares simples, como glicose, e pela ação de micro-organismos produzir álcoois, ou seja, fazer biocombustíveis é fazer cachaça. Um processo parecido é usado no milho e na beterraba das fazendas norte americanas, mas lá o foco são os conteúdos lipídicos das células. O defeito deste processo é que ele deixa um resíduo. A maior parte da biomassa das plantas é composta de lignina e celulose os quais, são os componentes da madeira. Ambos poderiam ser usados para produzir grande quantidade de energia, porém, são moléculas muito difíceis de processar, mesmo por bactérias. Existe uma forma de “pré-digerir” quimicamente estes compostos para produzir açucares mais simples que poderiam ser usados pelos micro-organismos para produzir combustíveis, porém, mais uma vez, o processo todo é caro e demorado demais para ser economicamente viável.

Pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA) desenvolveram um método para tornar a extração de combustível diretamente da biomassa um processo mais eficiente. Isto poderá abrir as portas para que sejam produzidas novas fontes de biocombustíveis usando plantas e algas que até agora foram desconsideradas. Com a extração direta de energia da biomassa, será possível usar os caules de milho ou até mesmo o bagaço de cana como fonte de combustível.

As técnicas químicas usadas até agora resultam em muitos passos de purificação que podem ser ineficientes em muitos casos específicos e produzem resíduos que logo são descartados. O que os pesquisadores fizeram foi expor a matéria orgânica ao ozônio gasoso que ataca as moléculas de celulose e lignina produzindo resíduos ricos em carboidratos que podem ser transformados em combustível sem grandes problemas. Embora o processo de ozonização seja mais caro que o processo químico tradicional, sua relação custo/benefício é muito boa.

Artigo original no ScienceDialy

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