Paleontologia

Novos fósseis de animais marinhos do Cambriano ajudam a compreender a história de diversos grupos animais

Um dos grandes problemas da paleontologia é a preservação dos fósseis. Aqui em São Luís por exemplo, temos um paleoambiente de mangue que sofreu diversas regressões marinhas (aumento e redução no nível do mar, invadindo o continente) com um clima semi-árido na maior parte da região. Aqui, o meio com pH baixo e carente de oxigênio favoreceu a formação de fósseis de minério de ferro. Mas além do tipo de material que se forma temos também o que realmente será preservado. De nada adianta um sedimento que fossiliza qualquer coisa se nada é enterrado nele. Isto é Seleção Tafonômica, é resumidamente os processos pelos quais os restos passam antes de fossilização. A seleção que ocorre em um rio, por exemplo, separa os ossos maiores dos menores (pelo peso) criando sítios de ossos pelo tamanho mas que não tem nada haver um com outro. Essa seleção é que acaba sendo cruel com alguns materiais moles como tecidos menos mineralizados e (em casos mais específicos) com animais inteiros que deixam de ser preservados ou destruindo características específicas.

Um caso recente é o das penas das primeiras aves. São um tecido difícil de preservar, mas deixaram marcas no sedimento argiloso da China onde o Archeopteryx foi encontrado. Organismos de corpo mole como esponjas e animais bentônicos por exemplo raramente deixam fósseis, apenas vestígios de que ali estiveram (icnofósseis, marcas fossilizadas). Isso faz com que muita informação sobre organismos antigos se perca, principalmente quando estamos lidando com grupos ancestrais como os que habitaram a Terra durante o Cambriano. Durante este período ocorreu um grande aumento da biodiversidade conhecido como Explosão Cambriana e foi quando a maioria dos grandes grupos de animais surgiram. Porém, se é comum encontrar apenas fósseis de artrópodes como os Trilobitas e outros que tinha partes do corpo encouraçadas ou com ossos.

Uma descoberta importante pode mudar esse cenário. Liderados por Peter Van Roy (Yale) e Derek Briggs (Yale Peabody Museum of Natural History), uma equipe de de pesquisadores descobriu um sítio fossilífero no sudoeste do Marrocos onde foram encontrados restos muito bem preservados de diversos organismos de corpo mole como anelídeos, esponjas e outros que ainda não tinham sido bem estudados neste período.

O sítio possuía características que ajudaram a preservar os fósseis como águas calmas e condições químicas do sedimento que favoreceram uma fossilização rápida dos tecidos. Os autores ainda estão animados com a descoberta pois esperam encontrar mais material inédito e de alta qualidade nos sedimentos daquela região.

Essa descoberta no norte da África é especialmente importante para o Maranhão pois nas eras antigas o Nordeste do Brasil e o Noroeste da África eram uma única região e com isso, compartilham muito de sua história paleontológica.

Vejam a matéria original no ScienceDialy

Um comentário sobre “Novos fósseis de animais marinhos do Cambriano ajudam a compreender a história de diversos grupos animais

  1. Nossa muito legal o post!! Estava acompanhando seu twitter e resolvi passar por aqui, quase nunca tenho tempo de postar! Feliz dia do nerd hahaha
    Aproveitando que to aqui, ficou sabendo do programa de trainees da EY? Acho que tem a ver com o blog, os videos do site são bem inspiradores.
    beijinhos

    Curtir

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