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Pesquisadores: do Open Access ao Open Source

27 de fevereiro de 2012 Deixe um comentário

Dia desses estive pensando sobre o que fazer com códigos que produzimos em algumas publicações. Para quem nunca trabalhou com estatística/bioinformática/filogenética a situação é mais ou menos assim: durante o trabalho você acaba escrevendo um o outro programa/script só que as revistas não publicam este tipo de material que, de certa forma, é necessário para repetir os mesmos resultados que você. Agora que estou começando a trabalhar com filogenética de crocodilos, nas minhas leituras iniciais, notei que muitos dos trabalhos dependem de algum algorítimo de computação. Gostaria de dar uma olhada em alguns deles e creio que produzirei alguma coisa do tipo durante a minha dissertação, então, onde consigo os códigos já escritos e o que faço com os meus depois de terminado o mestrado?

A questão tem se tornado um problema sério. Conforme o tempo passa, cada vez mais e mais recursos computacionais são demandados para os artigos. Programas são escritos, às vezes curtos e às vezes nem tanto. Em filogenética, por exemplo, as tabelas de dados geralmente são publicadas, mas os códigos não. As revistas provavelmente estão sem interesse em publicar códigos e devem permanecer assim (e com razão pois é alheio ao escopo das mesmas). Os códigos curtos até poderiam ser distribuídos como anexos (cada vez mais comuns nas revistas também), mas nem sempre esta opção está disponível. Neste artigo, o autor discute esta mesma questão e coloca à disposição alguns de seus códigos, mas é uma iniciativa dele e uma vez que seu blog/site pessoal saia do ar os códigos somem junto. Foi lendo este post que notei não ser o único preocupado com o destino dos scripts dos artigos.

Felizmente existe uma solução para isso e já está em funcionamento. Já faz algum tempo que o movimento Open Access vem lutando para tornar os artigos científicos um bem público e gratuito com excelentes resultados. Com o crescimento do uso de códigos em diversas áreas da pesquisa um novo movimento se faz necessário na ciência, o dos “artigos Open Source”.

Para quem desconhece o Open Source é um movimento de desenvolvedores que prega que os códigos e especificações de programas e sistemas sejam abertos, ou seja, sejam acessíveis para consulta e estudo para outros desenvolvedores e usuários. Um dos benefícios do modelo Open Source é que ele acelera o desenvolvimento dos aplicativos bem como correção de problemas através da formação de comunidades e de contribuições de voluntários. Além disto, é perfeitamente compatível com o software comercial. Posso citar inúmeros projetos bem sucedidos como o kernel Linux, o Drupal, WordPress, Joomla, LibreOffice, Gimp, MySQL, PHP, Perl…

É bom lembrar que OpenSource e Software Livre são coisas diferentes (com algo em comum). Caso se interesse pelo assunto sugiro uma leitura no BR-Linux. E só para constar, a definição que dei acima é uma interpretação beeeem genérica.

Basicamente a ideia dos artigos Open Source seria tornar público todo o código fonte (e outros dados, se possível) usado durante a pesquisa. Isso facilitaria que os dados fossem testados e retestados por outros, também ajudaria outros pesquisadores em busca de ferramentas e estudantes querendo desenvolver. A abertura do código também o tornaria passível de otimizações já que cada novo usuário/pesquisador/desenvolvedor agregaria mais recursos, robustez e confiabilidade. Agora vem o problema, como iniciar um artigo Open Source? Como eu disse antes o problema está praticamente resolvido pois já existe toda uma comunidade em torno do Open Source que pode fazer o trabalho de publicar os códigos dos artigos paralelamente às revistas.

Para quem trabalha com programação, tanto de sistemas quanto para a web, é comum conhecer ou fazer parte de uma comunidade de desenvolvedores. A maioria destas comunidades são apoiadoras do Open Source e portanto possuem repositórios de códigos já prontos para várias aplicações. Um caso de referência é o Drupal.org.

O projeto Drupal é mantido por uma comunidade de desenvolvedores e entusiastas. Enquanto o cerne da comunidade foca no melhoramento do sistema, iniciativas da comunidade criam códigos, frameworks, módulos e traduções que expandem funcionalidades do sistema. Esta mesma comunidade se organiza para manter os seus respectivos subprojetos com controles de versão, suporte online e etc. O Drupal nada tem haver com pesquisa acadêmica, mas é um ótimo exemplo de um coletivo de desenvolvedores muito bem organizados.

Um exemplo mais próximo do que estamos procurando é o CPAN. Esta sigla significa “Rede Compreensível de Arquivos do Perl” (em uma tradução livre), basicamente é uma enorme biblioteca de códigos mantida por desenvolvedores Perl onde vários códigos prontos podem ser encontrados. A ideia é simples, cada vez que um desenvolvedor cria um módulo (uma funcionalidade, script, biblioteca e etc…) em Perl, ele publica o código e a documentação do mesmo no CPAN e esta passa a ser publicamente disponível para toda a comunidade que pode contribuir ou mesmo assumir o desenvolvimento posterior do código. Uma pesquisa rápida por “bioinformatics” revelou vários módulos para processamento de dados genômicos, isso  porque na bioinformática este tipo de recurso já é conhecido e usado.

Além do CPAN a comunidade Perl possui outros recursos como o Perldoc que busca divulgar a documentação para fins de aprendizado.

No Brasil também temos outras comunidades bem menos especializadas e como exemplo cito o Viva o Linux. Basicamente o VOL é uma comunidade de usuários Linux onde eventualmente escrevo tutoriais sobre algumas soluções Open Source que uso para trabalhar. O que é interessante é que além de ser uma comunidade em português ela é diversificada. Existem repositórios para scripts de diversas linguagens (C, HTML, PHP, Python, Perl), fóruns, artigos, tutoriais, dicas, arquivos de configuração e etc. Ainda tem pouca coisa sobre ciência, mas já é um começo.

O R, agora tão usado em estatística, além de ser um programa Open Source também possui uma comunidade de desenvolvedores independentes nos moldes do CPAN (CRAN é o nome, por acaso). Em alguns artigos que li, os pesquisadores postaram seus algorítimos filogenéticos na comunidade e fizeram a devida citação no artigo. O R também é uma linguagem por si o que permite que códigos sejam desenvolvidos diretamente para ele de uma forma semelhante ao que é feito em programas comerciais como o MATLAB.

Em muitos casos os pesquisadores usam aplicativos de código fechado como o Statistica para processarem seus dados. Como a matemática por trás disto é bem conhecida, podemos deixar esse caso de lado. Em outros trabalhos códigos são escritos para pré-processamento, como em algorítimos de filogenética e em alguns testes estatísticos. Para estes casos uma boa pesquisa nos repositórios pode revelar que já existe o código para esta ou aquela tarefa. Isto, além de poupar tempo do pesquisador, divulga o código e o torna alvo de novas utilizações e melhoramentos.

Para quem está começando a programar ou está pensando em escrever alguma coisa no campo eu particularmente recomendo o Perl. Primeiro porque possui uma comunidade muito bem estabelecida e com projetos diversificados. Segundo porque é uma linguagem fácil de aprender (embora muitos critiquem, usuários do Python principalmente). Terceiro, o Perl possui muitas relações e afinidades com outras linguagens populares como C, Python e PHP o que o torna uma porta de entrada para níveis mais avançados da programação. Por fim, é uma das linguagens mais usadas da Bioinformática (junto com o Python).

Existe uma discussão interminável e infrutífera sobre qual seria a melhor linguagem: Perl ou Python. A maioria dos argumentos são em torno do desempenho, questões sintáticas e picuinhas irrelevantes.  Minha sincera opinião é a seguinte: se você é completamente analfabeto em programação, precisa muito de orientação a objetos, está com pressa ou já conheceu o Java/JavaScript use Python. Se você pretende aprender outras linguagens no longo prazo, já possui alguma experiência ou tempo para estudar e precisa muito de expressões regulares use o Perl.

Ainda estamos no começo desta questão, mas acredito que tudo irá se resolver com o tempo. Notem que muitos pesquisadores que usam aplicativos/scripts não fazem a menor ideia de como eles realmente funcionam, estão tão perdidos quanto aquele aluno de graduação que usa o Statisitca para fazer análise multivariada e mal sabe interpretar os resultados. Isso é um problema pois acredito que para o avanço da pesquisa multidisciplinar precisamos de mais pesquisadores-desenvolvedores que além de saberem programar estejam dispostos a investir algum tempo nisto de forma mais consistente. Conforme este grupo de profissionais crescer naturalmente haverá mais integração e formação de comunidades e soluções como as que apresentei acima serão mais comuns e mais conhecidas e a questão “do que fazer com o código” logo será esquecida (espero). O que é importante agora é planejar antes de iniciar um projeto que envolva programação. Na hora de escolher a linguagem, o sistema, versões e formatos temos que ter em mente questões como escalabilidade, compatibilidade e suporte, coisas que tiram o sono dos desenvolvedores e que nem passam pela cabeça de um pesquisador.

Guia de Pesquisa de Artigos Científicos

14 de maio de 2011 2 comentários

Introdução

O conhecimento científico é resultado de décadas de pesquisa, sistematização e constante revisão. Este conhecimento fica organizado na forma de artigos, livros e outras referências que são comumente conhecidas como “A Literatura”. As diferentes formas de organização da literatura científica exigem metodologias distintas de pesquisa, elaboração e organização. Veremos aqui as principais características d’A Literatura e como usá-la a nosso favor.

Sobre as revistas

A fonte mais tradicional de conhecimento são os livros e as enciclopédias. Os livros podem ser de um único autor, ou ter vários autores e, em matérias mais complexas, é comum que cada capítulo tenha um conjunto de autores próprios. As enciclopédias são consideradas fontes terciárias de informação, enquanto que alguns livros são considerados fontes secundárias.

Fontes de Informação:

  • Fonte Primárias: artigos, projetos e patentes onde o conhecimento foi publicado pela primeira vez. Geralmente são escritos em linguagem técnica e não são acessíveis ao grande público.
  • Fontes Secundárias: são artigos de revisão, livros compilando artigos e grandes relatórios de projetos. São publicados para prestações de contas ou são usados como referências por estudantes para seus próprios trabalhos.
  • Fontes Terciárias: são livros ou enciclopédias onde o conhecimento científico fica amplamente acessível, geralmente possuem uma linguagem mais compreensível ao grande público.

Geralmente as personagens mais comuns da literatura científica são as revistas (em inglês são conhecidas como Journals). Elas são publicações dedicadas a divulgar o trabalho de pesquisadores. Assim como jornalistas buscam mídias prestigiadas para veicular suas matérias, pesquisadores buscam revistas com boa reputação para divulgar seu trabalho. As revistas ganham reputação com o tempo, algumas mais jovens são conhecidas por serem criteriosas ou por estarem associadas a pesquisadores de renome e etc…

Leitura Recomendada: Como é calculado o Fator de Impacto das publicações?

Uma das principais características das revistas é a revisão por pares (p2p ou peer-review). Este processo é uma forma de garantir a qualidade do que é publicado nas revistas, consiste de convidar outros pesquisadores (referees) para avaliar os trabalhos que são enviados para as revistas e assim tornar criteriosa a seleção de novos materiais.

Sobre os artigos

Os artigos consistem de textos elaborados por pesquisadores tanto para divulgar sua pesquisa original quanto para revisar o estado de arte de uma certa área do conhecimento mas a maioria dos artigos se dedica a divulgar resultados de experimentos.

Existem muitos tipos de artigos, o estilo de escrita pode variar de acordo com a área do conhecimento e o formato também. É comum os artigos terem a seguinte estrutura:

  • Título: geralmente é grande e descreve o conteúdo do artigo.
  • Nomes dos autores e suas instituições de origem.
  • Abstract: um resumo do artigo, normalmente é escrito em inglês.
  • Introdução: uma breve discussão sobre o tema do artigo.
  • Materiais e Métodos ou Metodologia: descrição sobre como o trabalho foi feito.
  • Resultados e Discussão: em alguns artigos são separados, geralmente é a maior parte do artigo.
  • Conclusão: em artigos, costuma ser uma pouco mais extensa que uma conclusão de monografia.
  • Referências: lista de materiais consultados e citados no texto.

Além dos artigos que divulgam pesquisas novas, existem artigos de revisão. Estes são muito úteis para quem está começando a trabalhar em uma área pois trazem um resumo da literatura sobre o tema que tratam. Alguns trabalham com intensiva discussão sobre os avanços daquela área enquanto outros se resumem a descrever os principais fatos. Poucas revistas aceitam trabalhos de revisão, enquanto outras são dedicadas exclusivamente a eles.

Movimento Acesso Livre

Os primeiros periódicos eram impressos e acessíveis somente por universidades e seus assinantes. Com o surgimento da internet e da distribuição digital começou a surgir uma pressão para que o conteúdo dos artigos fosse livremente acessível para todos. Isto ficou conhecido como Movimento Acesso Livre (em inglês OpenAccess). Atualmente algumas revistas tornaram seu conteúdo livremente acessível na internet, outras liberam apenas artigos de uma certa idade enquanto outras surgiram especificamente para serem revistas de livre acesso.

Exemplos:

  • PLOS – Biblioteca Pública de Ciências
  • PNAS – Registros da Academia Nacional Americana de Ciências

Geralmente as revistas de livre acesso podem ser lidas por qualquer um. Embora existam discussões sobre como estas publicações se mantém, isso tem nenhuma influência sobre sua qualidade. De fato, revistas prestigiadas, como a PNAS, são de livre acesso. Quanto as revisas de acesso pago, é necessário um cadastro e uma taxa para acessar. As editoras oferecem opções como pagamento por apenas um artigo, pagamento por toda a revistas, anuidades e etc… Felizmente, algumas oferecem acesso institucional o que permite que pesquisadores de instituições cadastradas tenham acesso aos artigos livremente em suas redes. No caso das universidades brasileiras, o acesso é feito via CAPES, basta acessar o site da revista de um computador dentro de uma universidade associada para ter acesso à revista.

Pesquisando

Pesquisar a literatura científica é relativamente fácil pois há um esforço para tornar a informação publicamente acessível. Difícil mesmo é encontrar o que se procura. É necessário ter um conhecimento mesmo que superficial do tema pesquisado para a escolha correta das palavras-chave e para filtrar o conteúdo relevante.

A maioria dos artigos e suas revistas estão indexados em bancos de dados. Para buscá-los basta fazer uma pesquisa em alguns destes índices. Outros materiais interessantes como resumos de congressos ou artigos publicados muito antes da internet surgir ou em revistas que não existem mais são mais difíceis de conseguir. Os resumos dos congressos mais antigos eram publicados em uma compilação que era distribuída aos participantes (geralmente chamada de Anais que é o mesmo que Anuário). Enquanto que artigos mais antigos podem se encontrados em bibliotecas de universidades, quanto maior e mais antiga a biblioteca, maior a chance de ter um artigo raro. Alguns professores mantém bibliotecas particulares para materiais mais incomuns.

Direto na fonte com os editores

Uma das primeiras opções é pesquisar diretamente nos sites das publicações ou editoras das mesmas. Nem todas são de livre acesso então no máximo teremos acesso aos abstracts. Essas pesquisas são interessantes para ter uma pesquisa mais detalhadas. As vezes algumas revistas podem ter mais artigos interessantes sobre o mesmo tema, principalmente se forem especializadas. Para isto basta ir direto no site das revistas ou mesmo da editora da revista, algumas editoras oferecem serviços de pesquisa em todas as suas revistas ao mesmo tempo.

Índices

Alguns sites, assim como o Google, dedicam-se a indexar a informação dos artigos científicos para torná-los mais fáceis de pesquisar. Cada um tem o seu próprio paradigma e devido à complexidade da informação, frequentemente existem parâmetros demais para serem levados em consideração. As vantagens de pesquisar em um índice são:

  • Pesquisar em mais de uma revista ao mesmo tempo
  • Focar a pesquisa em um tema, região ou palavra-chave
  • Ter acesso a alguns serviços especiais de busca como acesso exclusivo a material
  • Geralmente os artigos nos índices são de boa qualidade

CAPES [periodicos.capes.gov.br]

O portal de periódicos da CAPES é uma ferramenta muito útil e um tanto complicada para alguns. Consiste de um metabuscador, um sistema que pesquisa em muitos índices diferentes ao mesmo tempo.

Existem 3 modalidades de busca no site da Capes:

  • Metabusca: permite buscar por palavras-chave escolhendo em quais índices pesquisar .
  • Periódico: permite buscar um periódico sobre o assunto que lhe interessa em vez de artigos individuais. É útil para quem está começando em uma área ou deseja procurar um local para publicar seu material.
  • Bases: permite procurar por índices de artigos, aqui você tem uma lista vasta de materiais que podem ser lidos. A maioria de acesso livre.

Como usar a Metabusca:

1. Escolha uma das áreas de busca:

  • Biológicas e Saúde
  • Exatas e da Terra
  • Sociais e Humanas

2. Diga uma das palavras-chave: geralmente é preciso ter alguma noção de palavra-chave para passar por aqui. Por exemplo, alguns autores podem referir-se a uma especie pelo seu nome popular, ou usar o nome científico abreviado. Por exemplo:

  • Nome comum (muito comum): Beija-flor
  • Nome científico: Eupetomena macroura; Hylocharis chrysura; Chlorostilbon lucidus… são muitas espécies, qual você está procurando?
  • Nome abreviado: E. macroura; H. chrysura; C. lucidus….

Na hora de usar as palavras-chave é bom ter imaginação para procurar sinônimos tanto em português quanto em inglês. Às vezes abreviações também são boas palavras-chave, mas frequentemente trazem materiais de outras áreas.

A opção de Busca Avançada é muito interessante. Além da simples pesquisa por palavras-chave, ela permite escolher a área do conhecimento (mais detalhada que a simples), subárea e quais bases de dados pesquisar. Isso é muito útil para restringir o escopo da pesquisa a uma base mais especializada ou a uma área mais evidente da pesquisa.

Como usar a Busca de Periódicos:

Esta busca serve para procurar por revistas e não por artigos. Uma de suas aplicações é ajudar pesquisadores a encontrar periódicos para publicar ou para acompanhar. É muito interessante acompanhar uma revista de referência na área quanto estamos começando. Existem três modalidades de busca de periódicos:

Busca Avançada: aqui é possível escolher a área do conhecimento e o fornecedor/editor da revista, além de palavras-chave do título. É um tanto ruim de filtragem e pode dar uma quantidade muito grande de resultados. Também é possível selecionar mais de um fornecedor/editor ou área do conhecimento.

Busca por Área: permite apenas escolher a área do conhecimento, mas com opções de subáreas. Nas opções de listagem é possível escolher quais as iniciais de nomes das revistas devem ser visualizadas. É interessante por permitir encontrar revistas em áreas bem específicas.

Busca de Referências: este aqui é bem interessante para quem está escrevendo. É uma busca de revista e artigo ultra específica que permite inserir até o título e página da revista para buscar. Seu objetivo é ajudar quem já está escrevendo o artigo a achar referências citadas por outros autores.

Como buscar nas Bases:

A busca de bases é uma forma de encontrar índices de referências. É bom dar uma passada aqui antes de escolher quais índices usar na Metabusca. Assim como a pesquisa de periódico, este aqui tem três modalidades que são bem parecidas com as anteriores:

  • Busca por título: permite usar uma palavra-chave para verificar se ela está indexada em alguma das bases.
  • Busca por área do conhecimento: apenas lista as bases com uma filtragem de área e subárea.
  • Busca Avançada: permite inserir, além das palavras-chave, alguns parâmetros como tipo de material indexado (pode ser artigo, patentes, livros, etc…), se é de acesso livre, nacional, área do conhecimento e etc…

SciElo [scielo.org]

É uma das bases mais conhecidas dos estudantes. Apesar de suas limitações é bastante popular pois tem artigos de acesso gratuito e é frequentemente a fonte que todo mundo acha quando tenta uma pesquisa no Google. O forte do SciElo e indexar revistas sul-americanas, por isso a maior parte de seu conteúdo é em espanhol ou português. O SciElo oferece os mesmos recursos do CAPES, só que em um formato extremamente simples e fácil de compreender. Basicamente o site de entrada da base oferece todas as duas modalidades e busca:

  • Artigos: é como a da CAPES. Aqui é possível escolher o país de origem do artigo (muito útil para levantar estado da arte nacional) e como a palavra-chave será tratada. Teste cada um dos métodos de pesquisa, podem dar resultados muito diferentes para cada tipo de palavra-chave.

Dica: o método “Proximidade Léxica” é o que trás mais resultados. Evite usar acentos nas palavras-chave, geralmente o SciElo fica confuso e dá resultado nenhum.

  • Periódicos: permite fazer uma busca por revistas em vez de artigos. As opções são as mesmas da CAPES: título, alfabético e área do conhecimento.

Google Acadêmico [scholar.google.com]

O portal da CAPES cobre a maior parte das nossas necessidades extraordinárias, mas no dia-a-dia é um tanto indigesto pesquisar por lá. Por isso o Google Acadêmico é tão interessante. Para quem não conhece, é um serviço do Google especializado em buscar conteúdo científico, tanto de acesso livre quanto restrito, de diversos fornecedores. Uma das vantagens do Google Acadêmico é a incrível facilidade de uso, outras são recursos incomuns que podem ser muito úteis em momentos desesperadores.

Usando o Google Acadêmico:

Sua interface é a mesma do Google normal, então basta jogar o que quiser que ele responde. Pode ser palavra-chave, nome de autor, título de artigo… Os resultados da busca são mostrados na tela da mesma forma que na pesquisa web, com algumas diferenças:

  • A maioria dos resultados está em PDF, que é o formato típico dos artigos. Geralmente o que não está em PDF não está disponível para download.
  • Os resultados são exibidos de forma padronizada e detalhada: título; autores; alguma coisa do texto.
  • Logo abaixo de cada resultado tem alguns links com opções sobre aquele material em especial:
  • Citado por: permite ver outros autores que usaram aquele artigo como referência, permite ter uma ideia de o quão relevante ele é.
  • Artigos Relacionados: faz uma nova busca com material semelhante, é uma forma de busca avançada automática.
  • Ver outras versões: às vezes, o Google acha o mesmo artigo em vários locais diferentes, talvez um deles seja de livre acesso, outros são apenas divulgações ou links para outras bases de dados.
  • Ver em HTML: ele tentará transformar o PDF ou qualquer outro formato de arquivo em um HTML para que você possa lê-lo.

Exemplo de resultado de busca no GA.

  • Antes do nome de alguns artigos tem um termo em chaves, ele tem um significado importante que pode te poupar algum tempo:
    • [citation]: são apenas citações, trabalhos que o Google indexou porque muita gente mencionou mas que ele próprio não achou na Web. É típico de livros e outros materiais que você não encontrará para baixar por aí…
    • [pdf,
      doc...]: é o formato do arquivo, se há um marcador como este no material, parabéns, significa que ele provavelmente poderá ser baixado como um arquivo. Os resultados que não tem isso geralmente são indicações de outras bases de dados.

Do lado direito, depois do nome do artigo também tem um link com um endereço da web resumido e uma marcação. É uma tentativa do Google de te levar direto para o arquivo do artigo. Isso é muito interessante pois alguns artigos não podem ser baixados nos seus sites de origem, mas podem ser baixados aqui. Então se estiver tendo dificuldades, tente este link. Ele ocorre mesmo em artigos que não tem marcador de formato de arquivo.

A busca avançada também oferece recursos como pesquisa por data, por periódico, por autor e etc… Por fim, alguns recursos que o Google Acadêmico oferece são:

  • Alerta por e-mail: permite receber um e-mail cada vez que um novo material é encontrado para a base. Infelizmente não é possível assinar resultados por RSS como na busca da Web.
  • Desde: dá para filtrar resultados pela data indicando desde que ano você quer resultados. Bom para ver as pesquisas recentes. Esta opção fica no topo da página de resultados, perto do campo de busca.
  • Incluir Citações: esta opção permite excluir as citações e forçar o Google a lista resultados que tenham pelo menos um resumo/abstract. Pode poupar muito tempo. Também fica no topo da página.

Divulgação Científica, de quem?

23 de setembro de 2010 2 comentários

A pergunta “É possível divulgar ciência?” pode parecer estranha em uma publicação dedicada a essa missão. No entanto, esse questionamento existe até por parte de cientistas influentes, para os quais a divulgação da ciência, por adotar uma forma imperfeita ou incompleta, transmite apenas uma imagem aproximada ou mesmo corrompida do que pretende divulgar. E, como tal, não divulgaria nada.

É o caso de Ilya Prigogine (1917-2003), químico teórico russo-belga, para quem seria impossível, por exemplo, explicar a teoria da relatividade a um público leigo. Segundo Prigogine, a relatividade não poderia ser entendida pela metade, ou com menos de 100% de seu conteúdo.

Para que essa teoria fosse devidamente apreciada, o público-alvo teria que conhecer os fundamentos da física, o que constituiria uma situação equivalente a ensinar aos já iniciados. De acordo com essa visão, um bom livro sobre a teoria da relatividade necessariamente abrigaria todos os conceitos relevantes e por isso não seria, em essência, um livro de divulgação, e sim um livro de física. Reservado somente aos ‘eruditos’.

Einstein dizia: “Se você não consegue explicar algo de modo simples, é porque não entendeu bem.”

A restrição de Prigogine e de outros puristas se aplicaria a qualquer área da ciência. Essa, porém, é uma noção razoável? Provavelmente, não. Tal percepção trai uma grande dose de fundamentalismo que confunde a tradução ao pé da letra da realidade científica, incluindo sua dialética, com a interpretação da essência da pergunta formulada pelos cientistas e a explicação da estratégia metodológica usada por eles na busca da resposta.

Felizmente, nem todos concordam com Prigogine e seus seguidores. Como antídoto para essa atitude excludente, podemos citar o físico Albert Einstein (1879-1955), justamente o autor da teoria da relatividade, que dizia: “Se você não consegue explicar algo de modo simples é porque você não entendeu bem a coisa.”

Fonte: Ciência hoje

Quando ouvi a expressão “Torre de Marfim” pela primeira vez não imaginei que fosse uma referência à obscuridade do conhecimento científico e dos cientistas que se colocavam acima do mundo real, longe dos problemas e da ignorância que aflige a humanidade (bla bla bla…). Talvez por sempre estar interessado pelo assunto da ciência, desde muito pequeno, eu não tenha percebido o mesmo como complicado ou distante, mesmo tendo sido criado em uma família sem qualquer tradição com o ensino superior. Prestei muita atenção às oportunidades que tive de aprender ciência quando criança e pelo que me lembre foram poucas. Geralmente se ensina ciência na escola e na Tv como uma colagem de fatos, curiosidade e experimentos interessantes, sem aplicação na vida prática, sem relação com a realidade. Mesmo na academia há uma clara separação entre ciência e tecnologia. Ciência na prática, com resultados, com aplicações ainda me parece uma coisa muito distante na formação dos biólogos da UFMA. Não estou desmerecendo a importância da pesquisa básica, mas um simples levantamento de espécies de algas ou abelhas sem um plano de manejo e conservação destas comunidades não me parece muito útil. Por que não ir além? Por que concluir em vez de propor? Por que saber em vez de fazer?

Superinteressante: Edição 105 de Junho de 1996

Superinteressante: Edição 105 de Junho de 1996

Superinteressante: Edição 231 de Outubro 2006

Superinteressante: Edição 231 de Outubro 2006

Uma vez o Uoleo fez um post relembrando a sua infância e acabou tocando a minha e de muitos outros ao citar  O Mundo de Beackman, um dos poucos programas educativos sobre ciência que a tratava do ponto de vista da pesquisa. O programa de Beackman acabou e depois dele veio o que? Até onde me lembro nada. Parti para as revistas, li e fui assinante fiel da Superinteressante. Eu colecionei fielmente todas as edições da minha primeira super: Edição 105 de Junho de 1996 até a minha ultima Edição 231 de Outubro de 2006. Depois disto a divulgação científica que tanto me atraía na Super, sua capacidade de deixar dúvidas e ao mesmo tempo o poder  de pensar em respostas próprias desapareceu e virou uma coletânea de fatos simplificados e fáceis de engolir para que todos pudessem ler sem pensar: “Criacionismo” virou “Teoria do ID”, BigBang virou explosão de certeza e coisas duvidosas da espiritualidade deixaram de ser tratadas como aspectos culturais e do comportamento humano e viraram “Ciência do Sobrenatural”. Foi difícil deixar a Super para trás, mas foi inevitável.

A educação no Brasil não é das melhores, a científica acho que só existe por que alguém colocou lá e até agora por que ninguém teve coragem de tirar. Enquanto isso, países como os Estados Unidos são conhecidos mundialmente por sua pesquisa avançada e ao mesmo tempo por sua educação retrógrada que coloca mitologia religiosa acima dos fatos e cria uma geração de “analfabetos” para gerir o país no futuro e colocar a pesquisa científica em segundo plano nos investimentos dos futuros governos. Como coisas assim acontecem? E no Brasil? Segundo o texto da Ciência Hoje que coloquei acima, a cultura brasileira é muito focada no lado espiritual, mas por que será que não há Ficção Científica, nem cinema, nem livros nem nada no Brasil que seja profundamente relacionado à ciência? Você vê uma coisa ou outra sobre divulgação, a maioria mesmo é de cunho religioso? Será que é problema do governo ou falta de iniciativa do pessoa que está na Torre de Marfim? Quantos pesquisadores procuram divulgar seus trabalhos e acima de tudo, quanto pesquisadores tornam seus trabalhos úteis para a sociedade em vez de produzirem apenas “artigos-para-publicação”?

SCIAM: A internet nos fará mais estúpidos?

29 de abril de 2010 Deixe um comentário

Em 2000, poucas pessoas teriam previsto que, após 10 anos, o Facebook teria uma presença massiva na internet. Sem temer riscos de prognósticos, o Pew Research Center´s Internet e American Life Project recentemente pediram a cerca de 900 profissionais de tecnologia que imaginassem a internet em 2020.

Especificamente, o projeto apresentado para os profissionais tinha dez declarações opostas, forçando-os a escolher cinco e, em seguida, explicar por que fizeram essa escolha. Por exemplo, uma das declarações era a seguinte: em 2020, o uso popular da internet aprimorou a inteligência humana, já que, por terem acesso sem precedentes a informações, as pessoas tornam-se mais inteligentes e podem escolher melhor. Ou esta: em 2020, o uso popular da internet não melhorou a inteligência humana, e poderia até mesmo reduzir o QI da maioria das pessoas que a usam com frequência.

Veja a matéria completa: Scientific American Brasil

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