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OpenSUSE 12.2, where are you?

6 de agosto de 2012 Deixe um comentário Go to comments

Mal posso esperar pelo lançamento definitivo do novo openSUSE 12.2. Estou desde maio usando o Ubuntu 12.04 e embora esteja relativamente satisfeito devo admitir que suas complicações estão me cansando. Neste artigo pretendo discutir algumas novidades da nova versão da ‘Distro do Gecko’ que já deveria estar online, mas sofreu alguns atrasos com problemas gerenciais recentemente. A expectativa é que a versão final saia em meados de Setembro deste ano.

Breve esculhambação sobre o Ubuntu

O Ubuntu é sem dúvida uma das distribuições mais amigáveis e populares do mundo linux (e o será ainda mais pelo andamento das coisas). Instalei no meu note antigo e está rodando até agora sem grandes problemas – e sendo usado por alguém que nem faz ideia do que é “sistema operacional”. Entretanto a distro da Canonical possui alguns problemas que sempre me incomodaram. Por exemplo, o Ubuntu é um sistema muito bom da forma como é distribuído, mas torna-se muito instável quando começa a ser personalizado.

Há nem tanto tempo atrás o Ubuntu pegou uma fama de gambiarrado por causa de scripts que faziam mil e uma modificações no sistema para facilitar a vida do usuário. As coisas Automágicas causaram tantos problemas que foram banidas, mas me parece que o estilo POG de fazer as coisas persiste.

No curto prazo o Ubuntu é um sistema leve e fácil de usar. No longo prazo torna-se uma colcha de retalhos. No meu caso possuo muitos aplicativos que foram instalados diretamente – como o Mendeley e atualizações do CherryTree. Talvez a grande variedade de aplicativos distribuídos por terceiros sem nenhum controle seja o mal do Ubuntu, a Canonical deveria tomar alguma providência quanto a isso e valorizar mais os repositórios.

Devo ressaltar que a comunidade fez um excelente trabalho no Precise Pangolin. Esta foi a primeira versão do Ubuntu que consegui usar por mais de uma semana sem formatar o computador e que dispensou hacks para instalação. Sentirei falta do Unity, ele é tão agradável que me convenceu a adotar o ribbon do Windows 7 que até o momento eu rejeitava completamente.

Geralmente eu era obrigado a vagar pelos fóruns para descobrir porque todas as outras distros funcionavam no meu note menos o Ubuntu. As LTS, que deveriam ser mais estáveis, eram justamente as problemáticas.

Recursos do openSUSE

Um dos motivos por preferir o OS é logo de cara a mídia. Acredito que as “distros com tudo dentro” são mais adequadas as minhas necessidades de experimentador. Além disto, poupam bastante banda pois possuem muita coisa útil no DVD de instalação. Esta mesma filosofia aplica-se os repositórios. Os servidores do OS estão cheios de aplicativos úteis, do Google Earth ao Adobe Reader. Para quem está migrando do Windows ou precisa de algum grau de compatibilidade com o mesmo encontrará um ambiente bastante amigável.

Recurso 1: Ótima seleção de aplicativos

Em termos de usuários, fóruns e documentação o Ubuntu é insuperável, mas ele padece do mal do Windows: milhares de blogs/wikis descrevendo a mesma solução – geralmente uma gambiarra – para o mesmo problema sem grandes explicações.

Aquele defeito congênito no WiFi do Ubuntu quase me enlouqueceu.

No que tange a documentação o OpenSuse vai muito bem com seu Wiki mantido pela comunidade, livros com detalhamento técnico das aplicações – inclui tutoriais, fóruns e uma pequena rede social que já mencionei no lançamento do 12.01. A grande vantagem do Opensuse é que ele é um sistema multipropósito para usuários domésticos, corporativos, servidores, hardcore e desocupados como eu. Logo, é um sistema bem documentado (do básico ao avançado) e fácil de personalizar.

Recurso 2: Rica documentação para todas as idades ;)

Para quem migra do Windows para o Linux a primeira facada é com certeza o painel de controle. Duas opções são oferecidas ao cavaleiro andante: usar as ferramentinhas isoladas como as do Gnome ou abraçar a escuridão eterna do terminal.

Eu uso o terminal, uso bastante, programo em Perl e ShellScript por acaso. Mesmo assim acho uma grande besteira ficar publicando tutoriais com comandos shell para o leitor copiar e colar. Isso agrega muito pouco ao usuário em questão e nada ao blogueiro em questão.

O Opensuse oferece algo que poucas distros ainda se arriscam em ter: um painel de controle. Seguindo a bela tradição do Madrake Control Center, o OS (sigla bastante apropriada, não?) oferece ao seu usuário o YAST, uma coletânea de ferramentas de configuração que vão desde coisas simples como usuários e grupos até recursos avançados como servidores Apache e MySql. O Yast está disponível tanto em ambiente Gnome quanto KDE e sua principal vantagem é ter sido desenvolvido para o Opensuse, logo ele é uma solução sob medida e altamente compatível.

Recurso 3: Yet Another Setup Tool!

Yast! em ação: desde gerenciamento de usuários até configuração de servidores Lamp. Com tudo em um só lugar ele lembra bastante os tweakers do Windows.

Este último recurso pode ser associado ao primeiro e é uma característica de distros como o Opensuse, Mandriva e etc… (quem mais? agora me escapa outra distribuição via DVD). Talvez por ter espaço em sua mídia de instalação e pelo cabedal de demandas que deve atender o Opensuse possui mais de um ambiente gráfico funcional. Durante a instalação é possível optar pelo KDE4, Gnome3, XFCE, LXDE e outros. Isso é muito bom para quem quer testar ambientes, quem teme que um pau no sistema o deixe inaccessível (acontece muito no KDE4) ou quem está tendo dificuldades com certas atualizações. Eu por exemplo fugi por muito tempo para o XFCE depois que o Gnome3 passou a ser o padrão para o Opensuse 12.1. Além dos ambientes, pacotes específicos e genéricos bem como temas e recursos de personalização estão disponíveis para todos, tanto na mídia quanto nos repositórios.

O Unity é muito bom, ainda torço o nariz para o Gnome-shell e guardo um fio de esperança pelo Cinnamon.

Recurso 4: Personalização

Reflexões sobre o OpenSuse 12.2

Tenho feito testes desde as versões beta, quando teve a confusão com os prazos de lançamento. O novo tema visual do sistema me agradou muito, se o Gnome 3 fosse menos sinistro cairia muito bem. As novas tonalidades da tela de boot me fazem recordar do Linux Mint!

Deram um revisada no visual, ficou bem mais leve, mas me lembra alguém…

A instalação via live-cd está um pouco pesada, isso me preocupa pouco pois sempre uso o DVD. Mesmo assim, o live deveria ser um pouco mais leve.

Instalação rodando no live-cd do Gnome

O sistema instalado no VirtualBox está funcionando relativamente bem, com efeitos especiais e tudo. Deve funcionar como sistema principal também, mas desta vez pretendo esperar um pouco mais antes de migrar completamente.

Já existem repositórios funcionando, mas apenas os oficiais. A seleção está muito boa, aplicativos como Grsync que tinham sido removidos voltaram para o oficial. Alguns problemas persistem, o Shutter (para screenshots) ainda gera uma instalação quebrada. O VirtualBox também está quebrado, é necessário colocar o usuário atual no grupo vboxusers (via Yast) para que o o aplicativo funcione, mesmo assim há o risco de incompatibilidade com os updates de outros repositórios.

Para quem acha que adicionar um usuário no grupo é algo simples demais para ser motivo de reclamação eis a minha resposta: Eu tenho mais o que fazer!

Senti falta de algumas coisas que o Ubuntu já traz consigo como o Backup. Eu tenho um script de backup próprio que faz o backup diferencial, compacta e etc. Nenhuma ferramenta de backup vem instalada por padrão no OS e já era hora de algo assim aparecer, parece que o OS ainda é muito voltado para usuários de intermediário-avançado do linux enquanto o Ubuntu é praticamente um windows-like (é um elogio, que fique claro isso).

Uma das coisas que mais gosto do Yast é o gerenciador de pacotes. É possível mudar entre diversos tipos de visualização dos pacotes como: por repositório, sobre idiomas, por funcionalidade, por padrões do sistema ou classe rpm. Esta ultima opção lembra muito o padrão do Synaptics, extremamente detalhado.

Na hora de navegar nos aplicativos o Gnome 3 ainda é superior ao Unity.

Instalação

O processo de setup do Live-CD e do DVD continuam idênticos às versões anteriores. Se estão procurando um tutorial rápido sobre instalação tenho um aqui no blog. Aqui discuto algumas passagens e faço novas recomendações.

Notem que ao contrário do post do 12.1, desta vez estou usando um Live CD do Gnome. Logo de cara tem a opção de instalar o sistema em vez de testar ou fazer o boot pelo HD. Isso nos permite rodar os instalador em sistemas onde o Live ficaria muito pesado, algo que comentei acima.

Opções de boot do live-cd. Podemos escolher o idioma, trocar o kernel para evitar problemas, bootar o sistema já instalado, testar ou ir direto para a instalação.

A próxima tela é para configurar teclado e idioma principal do sistema. Lembre-se de que terá a opção de adicionar quantos idiomas quiser no Yast! quando tudo estiver funcionando, por hora procure alguma configuração compatível com seu teclado. O idioma padrão é inglês (EUA), mas ele geralmente segue o que você escolheu com o F1 durante o boot (mas ninguém usa isso…).

Depois definiremos o fuso horário do sistema. Clique na cidade mais próxima do seu meridiano. Resista a tentação de clicar em Brasília porque quando o horário de verão chegar e o computador avançar uma hora sem necessidade (caso você more no nordeste ou em algum lugar que fique de fora do horário de verão) você ficará com cara de “?”.

Agora é hora de decidir sobre as partições. Por padrão o Yast sempre procura uma configuração já existente como base, então se você já tiver o Windows ele procurará redimensionar e reparticionar. Isso é pouco recomendável porque sempre dá errado. Sugiro fortemente uma partição /home separada pois é muito prática para backup e restauração do sistema. Se ele sugerir o uso de partições brtfs recuse, este sistema de arquivos é legal mas ainda está em desenvolvimento, já perdi partições inteiras com ele. O Ext4 é muito estável e seguro, sugiro para todas as partições.

Nas opções de partição as dicas são: evite o brtfs e busque sempre uma /home para si.

Nas configurações de usuário basta definir a senha e detalhes do usuário. Agora o OS adotou a norma do Ubuntu de usar a mesma senha de root para o usuário principal. Se você se preocupa com segurança, sugiro usar senhas distintas e desativar o login automático.

Por fim, ele oferece uma revisão da instalação. Notem que nada ainda foi feito no computador, então cancelar a instalação até aqui é perfeitamente seguro. Se fosse no DVD teríamos a opção de escolher qual ambiente gráfico usar. Ainda sugiro escolher apenas um ambiente gráfico e se precisar de mais de um, evite que sejam com bases de pacotes muito diferentes. XFCE, Gnome e LXDE combinam sem grandes problemas. Gnome+KDE vira confusão rápido. E mesmo assim, faça isso com o sistema já instalado, isso torna a instalação do sistema principal mais rápida e menos propensa a erros.

Conclusões

Eu particularmente acho o conceito de RC e Beta uma jogada. Para o RC o 12.2 está muito bom, sem nenhum problema que pudesse me incomodar. Se os repositórios auxiliares já estivesse disponíveis eu poderia fazer testes melhores. Por hora o sistema já tem a mesma funcionalidade que o Ubuntu 12.04.

Embora os atrasos me preocupem, principalmente depois do que aconteceu com o Mandriva, devo dizer que a comunidade está fazendo um bom trabalho nesta edição.  Acredito ser melhor lançar um sistema de boa qualidade com algum atraso do que jogar uma coisa incompleta e galvanizada no prazo. Alias, eu preferiria muito mais que fosse um único lançamento por ano com uma quantidade significativa de novidades e bem consolidado.

Update

12.08.02:

Lançado o RC2, estamos chegando lá…

12.08.26:

Faltam apenas 10 dias para o lançamento da versão final e como perdi a paciência, já instalei o RC2 e estou usando a uns 4 dias. O Gnome 3 é muito menos terrível do que eu imaginava. Depois que você se acostuma com os atalhos de teclado ele se torna um ambiente muito produtivo. Mesmo assim, eu gostaria de ter meus aplicativos na taskbar, é mais prático que alt-tab.

Embora ainda estajamos oficialmente em RC2 os repositórios 12.2 já aparecem normalmente no Yast, logo, temos acesso aos updates. Se o animal de tração aqui tivesse instalado do live CD 64bits em vez do de 32bits nem precisaria formatar o sistema novamente.

PS: O OpenSuse adotou a /home do Ubuntu 12.04 como se fosse a dele sem problemas. Meus backgrounds, configurações e etc, tudo ok de primeira. Isso mostra como o Unity e o Gnome 3 são essencialmente a mesma coisa.

12.09.05

baby-charmeleon

Filhotes de Reptilia também nascem fofinhos ;)

Já é quase o Independece Day e o 12.2 finalmente foi lançado. Agora posso fazer meu upgrade definitivamente e ver o que acontece… Os repositórios foram atualizados, agora o Packman está oficialmente disponível como Comunitário e alguns dos que estavam offline estão funcionando agora.

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