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Recursos Minerais: limites de exploração, impactos e alternativas

Este é um resumo de um texto que escrevi para uma disciplina, fiquem à vontade para comentar ;)

Sobre mineração e economia

A mineração é uma indústria importante no desenvolvimento econômico global e nesses tempos de sustentabilidade muitas tecnologias consideradas verdes dependem dela – minerais conhecidos como “terras raras” (Marins & Isolani, 2005) encontrados em poucos lugares do mundo são usados na fabricação de  lâmpadas a resistores. Europa e Estados Unidos importam cada vez mais recursos naturais na forma de commodities conforme exaurem suas fontes (Weinthal & Luong, 2006) o que dá para a questão uma dimensão geopolítica. Adicionalmente, a atual matriz energética planetária é baseada principalmente em petróleo, carvão, gás e fissão nuclear, as quais, são dependentes da mineração ou de técnicas de mineração que estão atingindo seus limites (Wellmer & Platen-Becker, 2002)

O consumo atual de recursos minerais é de aproximadamente 32×1012 toneladas anuais que movimentam uma economia de 0,82×1012 Euros (Wellmer & Platen-Becker, 2002). Estas demandas só aumentam e minas que produziram por mais de um século seriam exauridas em menos de 15 anos com as tecnologias de exploração atual e os commodities são consumidos de forma desigual pela população mundial pois cerca de 70% dos depósitos minerais e energéticos do planeta são consumidos por apenas 20% da população que vive em países industrializados (Wellmer & Platen-Becker, 2002).

A dependência entre a economia e exportação de commodities minerais é conhecida como a Maldição Mineral e é caracterizada por um permanente atraso econômico e social do país exportador. Alguns sintomas da dependência são:

  • Baixa diversificação da economia que passa a ser focada em um setor específico;
  • Alta corrupção da administração pública impulsionada pelas relações Estado/Mineração;
  • Alta concentração de renda, fomentada pelos altos investimentos  e volumes exigidos pela indústria mineradora;
  • Sistemas tributários pouco sofisticados, reflexo de uma economia pouco madura e diversificada.

Brasil! sil! sil!

Weinthal & Luong (2006) enumeraram algumas soluções para os problemas associados à dependência de commodities :

  • Diversificação Econômica;
  • Transparência;
  • Fundos de Recursos;
  • Distribuição de Renda.

Poucos países foram bem sucedidos na implantação de políticas macroeconômicas de combate a estes problemas, pois, muitas medidas exigem que um regime tecnocrata se estabeleça o que pode implicar em medidas impopulares como a suspensão de subsídios e investimentos em outros setores menos lucrativos, porém produtivos (Weinthal & Luong, 2006). Quando não são impopulares, as medidas são politicamente improváveis, como transparência pública, fundos para investimentos futuros e distribuição de renda para a população.

Mineração e sustentabilidade

Uma curiosidade histórica é que foi na exploração de recursos minerais que surgiu uma das primeiras iniciativas em termos de sustentabilidade. Em 1713, Von Carlowitz, administrador de minas de prata da Saxônia, aplicou os princípios de exploração sustentável em florestas que eram necessárias para a exploração das jazidas como fonte de carvão. A cidade de Nuremberg foi um centro de processamento de metais que eram escavados na república Tcheca e Eslováquia, mas isso teve um fim no ano de 1456 quando a cidade ficou sem carvão vegetal para sua indústria devido a superexploração das florestas do entorno (Wellmer & Platen-Becker, 2002).

Este mapa de Wellmer & Platen-Becker (2002) apresenta os principais exportadores e seus commodities minerais. Esses chineses têm coisa pra caramba…

A exaustão de algumas jazidas é inevitável e já prevista em alguns casos (Moreschi & Bettencourt, 2000). Medidas devem ser tomadas para evitar que a falta de disponibilidade leve a uma crise semelhante a que acometeu a indústria do petróleo. São três principais alternativas para recursos não-renováveis: investimentos em novas jazidas, redução da demanda, reciclagem e substituição.

Em alguns casos o valor associado a um mineral está ligado a uma de suas aplicações, na qual existem alternativas. O cobre, tão valorizado pelo uso nas telecomunicações na fabricação de cabos, pode ser substituído por silício que cumpre o mesmo papel nos cabos de fibra ótica (Wellmer & Platen-Becker, 2002). Por outro lado, existem casos onde uma gestão controlada e redução do uso tornam-se fatores críticos. Neste caso temos o Potássio e Fosfato, explorados intensivamente para a produção de fertilizantes, são essenciais para a indústria de alimentos e absolutamente insubstituíveis (Moreschi & Bettencourt, 2000; Wellmer & Platen-Becker, 2002).

O desenvolvimento tecnológico pode levar a valorização de materiais antes considerados minerais de ganga (parte do minério sem valor comercial) (Wellmer & Platen-Becker, 2002), um fenômeno evidenciado pela ascensão das “terras raras” na economia mundial. Uma forma de incentivar a busca por alternativas é a tributação de resíduos não recicláveis. Também é importante que haja a transferência de tecnologia, pois o desenvolvimento tecnológico é feito nas nações desenvolvidas, mas boa parte da exploração ainda é realizada em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos onde os impactos ambientais e sociais da mineração devem ser mitigados (Wellmer & Platen-Becker, 2002).

A questão do Hélio 3

O hélio é um elemento mais conhecido pelo uso em balões de festas e por seu efeito ridículo sobre a voz das pessoas. Apesar disto, a maior parte do hélio é consumido no mundo é resíduo de pesquisas nucleares e exploração de gás natural. A maior parte do hélio extraído naturalmente é do isótopo He4 que acaba sendo vendido ao mercado aberto. Porém uma pequena fração deste é do isótopo He3, este é um elemento insubstituível nas pesquisas que demandam criogenia como estudos de supercondutores, lasers e aceleradores de partículas. O He3 também tem uma propriedade interessante, é altamente polarizável, e por isso é usado para construir detectores de nêutrons e em medicina diagnóstica.

Então aquela história de que os balões de gás vão acabar e etc é só estória mesmo, desse hélio barato para fazer graça tem bastante ;)

Projeção das demandas de He para os próximos anos, de Shea & Morgan, 2010. O uso em ciência tenderia a aumentar.

A maior parte do He3 é obtida como resíduo do decaimento do trítio em centros de pesquisa nuclear. Os principais exportadores mundiais (praticamente os únicos) são EUA e Rússia. Sempre houve hélio suficiente para todos, mas com os avanços da medicina diagnóstica e pesquisa nuclear a demanda tornou-se maior que a produção. O terrorismo de 11 de Setembro criou uma acentuada demanda por detectores de radiação pelo temor de ataques terroristas com armas nucleares. Com isso, em 2001 a demanda tem superado em muito a produção doméstica dos EUA. Desde então, alternativas têm sido pesquisadas. Na medicina e nas aplicações militares, outros elementos podem ser usados em substituição. Um exemplo, é o Xénon 19 que substitui o He3 sem grandes prejuízos na medicina.

Uma das possibilidades é aumentar a produção de He3. Isso teria implicações na política internacional pois envolveria a produção de material de uso nuclear em larga escala (Shea & Morgan, 2010.). Purificar He3 a partir de fontes naturais como jazidas de gás natural é uma opção pois seria apenas mais uma fase no processo atual de produção do gás. Por fim, há a possibilidade de reciclar o He3 usado em alguns setores pois ele é inerte, mas isso teria custos em alguns casos que precisam ser avaliados com calma.

Referências

Matins, T. S.; Isolani, P. C. 2005. Terras Raras: Aplicações industriais e biológicas. Química Nova, 38(1):111-117.

Moreschi, J. B.; Bettencourt, J. S. 2000.Recursos Minerais. In: TEIXEIRA, W.; TOLEDO, M. C. M. de; FAIRCHILD, T. R.; TAIOLI, F. (Orgs.) Decifrando a Terra. São Paulo, Oficina de Textos, 568 p.

Shea, D. A.; Morgan, D. 2010. The Helium-3 Shortage: Supply, Demand, and Options for Congress. Congressional Research Service.

Weinthal, W.; Luong, P. J. 2006. An Alternative Solution to Managing Mineral Wealth. Perspectives on Politics, 4(1):35-53.

Wellmer, F. W.; Platen-Becker, J. D. 2002. Sustainable development and the exploitation of mineral and energy resources – a review. International Journal of Earth Sciences, 91:745-723. DOI: 10.1007/s00531-002-0267-x.

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  1. DANIELA AGOSTINHO
    28 de fevereiro de 2013 às 14:26 | #1

    Eu Quero saber é como evitar aESCASSEZ DERECURSOS MINERAIS

    • 28 de fevereiro de 2013 às 14:43 | #2

      Eu também…
      Reduzir, Reutilizar e Reciclar ajudam muito, mas o planeta é um só, há de acabar…

  2. 29 de agosto de 2013 às 18:15 | #3

    Eu quero saber “Que medidas podem ser tomadas para reduzir a exploraçao mineral?”
    Alguem me responde é pro trabalho de escola! :\

  3. victor
    5 de setembro de 2013 às 20:56 | #4

    curti

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